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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O Brasil e Sua Crise

Gado

Aqueles que querem realmente uma profunda transformação político-social no Brasil não estão em passeatas de mulheres e homens alienados tirando suas roupas numa orgia carnavalesca. Estão buscando transformar a si mesmos, se tornarem, serem mais aptos a contribuir no seu dia a dia, a tornar seu "quadrado" um exemplo a toda a sociedade.
São pessoas comprometidas e não somente compromissadas, pois se dão por completo a uma causa política, não à partidária, porém à social.
Não buscam vantagens, confortos utópicos, não acendem uma vela para "Deus" e outra para o "Diabo". Não primam pela conveniência, mas pela equanimidade de direitos e pela verdadeira justiça social.
Não se contentam com o seu próprio e exclusivo usufruto, contudo em radicalizar a distribuição de recursos e oportunidades entre todos.
Pensam. Não são apenas "paridos" por uma mídia cada vez mais comprometida com o espetáculo e que transforma movimentos sociais e seres em pura massa de manobra. Não admitem em suas vidas um jornalismo fraccionista e endereçado a solução de grupos, às suas regalias e conveniências.
Não sou referência de nada. Formador de opinião nenhuma. Intelectual e filosofo que traga nada de novo. Apenas acredito em reflexão e ponderação. Quem age por impulso é palha e como palha se consome.
O Brasil passa por uma crise institucional profunda: imagina o estouro de uma boiada e um país inteiro em seu caminho, pisoteando qualquer bom senso, cegos, incapazes de discernimento.
O problema não é tão somente a corrupção e suas nefandas consequências. O maior problema é a continuada cegueira do povo brasileiro, a sua contínua barganha por benesses, por ajustamentos à sua idealidade de "Paraíso Tropical".
Aqui não é o Éden e o mundo inteiro passa por uma imensa crise e a nossa não é maior ou menor.
Contudo, creio que a crise da consciência seja aqui, ou em qualquer lugar, a maior de todas.
Agora, só nos faltam marcar a ferro. Assim, se saberá quem de fato é nosso dono, pois distante de nós mesmos e inconscientes não passamos disto: gado.

S. Quimas

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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Quem sabe amanhã não seja outro dia?



Quem sabe amanhã
Não seja outro dia?
Quem sabe?
Quem sabe hoje,
Este dia seja tudo?
Quem sabe?
Nossa mente divaga...
Tudo o que aprendemos,
Todo nosso pensamento,
É apenas incerteza.
Diz-me aí, o que te resta?
Quero resposta honesta.
Resta-te apenas este momento,
O caldo do espaço-tempo.
Aproveita e goza.
Goza assim como a flor que surgi
E não sabe o mundo.
Sabe apenas o efêmero.
Talvez a flor seja inconsciente,
Mas não se atribule,
Nasce.
Não busque seduzir, não.
Apenas vem à existência.
Quantas flores surgiram e feneceram?
Milhões.
Pior os grilhões,
Que nos fazem
Jamais nascer.
Não porque estejamos aqui,
Que sejamos vivos.
Quem repete sonhos
É apenas clichê.
Caminho nas sombras,
No delírio eterno de mim mesmo,
Mas caminho,
Não me acovardo perante
À toda minha imensa insuficiência.
De mim não sei.
Se sei, são pelas contas que chegam.
Ah! Essas são fatuais.
Se vivo, devo,
Somente por viver.
A humanidade é estulta,
Não compreende o que é viver.
Abraça modelos,
Se enquadra.
Caminho lá, pueril,
Naquela estrada outra.
Aquela que faz sonho.
Por tal me condenam.
A minha pena?
Ser-me.
Não que eu seja exemplo.
Sou dentre muitos,
O mais entre todos,
Meramente um pária.
Pior, ainda esbravejo.
A poesia que me inunda
E me inunda de tal maneira,
Que eu mesmo não
A restrinjo em mim.
Tenho o despudor
De lançá-la no tempo,
Tenho a lascívia
De fazê-la pecado imenso,
Praticado a todos.
Não há a menor modéstia em mim.
Me creio poeta.
Talvez possa ser meio pueril,
Como a criança que fez uma descoberta.
Possa ser que eu não tenha acordado
De toda a minha infância
E assim prossiga um sonâmbulo.
Faço poemas indigestos como este.
Que dúvidas têm
Que não são apenas delírios.
Não sou...
E nem serei no mínimo razoável.
Cachorro que fuça lixo,
Um deplorável,
Mas preciso.
Tantas vidas eu tive,
Porém ainda estou aqui agora.
Flor que nasce,
Para num outro instante,
Apenas ir embora.

S. Quimas

sábado, 21 de março de 2015

Ao Dia da Poesia

Olga Suvorova - Golden Fin


A condição do poeta é viver todas as vidas e a sua mesma. Arder nas chamas das paixões e serenar em rincões que jamais pousou. É abster-se de si e se entregar à toda a vida. É colecioná-las e transbordá-las de si mesmo. E fazer pacto com Deus e não desprezar os demônios. Ser poeta é abarcar e abraçar a infinitude de todas as coisas e deixar-se ir através de brisas e cruzar tormentas. É traçar linhas e encantar. É ser odiado como ser e amado como artista. É fazer caber em si a totalidade, ainda que lhe estrangule o fôlego. Ser poeta não é fácil, é viver em si completamente tudo o que existe e sonhar o impossível... além.

S. Quimas

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Essa noite vão me matar



Essa noite vão me matar.
Vão me matar com suas absurdas certezas,
Com suas crenças que jamais se questionam.
Vão me matar pelo tédio da sua repetição,
De suas vidas comezinhas,
O sempre, mesmo, o sempre.
Vão me matar pelo tédio de suas mesmices,
De suas hipocrisias veladas em retórica
De firmezas que não há em si mesmos.
Vão me matar porque devo ser morto,
Pois morto deverei ser,
Já que não compartilho de inércia e grito.
Meu grito às vezes é o que é silêncio,
Pois muitas vezes silêncio é sinfonia,
É música maior.
Quem sabe do poeta o que vê?
Seus olhos se estrangulam num mundo de falácias,
Mas veem a tudo, como exatamente vê.
O que declara é ignomínia, é o prevaricar
Da sua consciência e o derramar da insuficiência,
Toda a sutileza da porrada que dá em sua alma
Para que acorde a cada instante
E só durma em seus sonhos e devaneios.
Ser poeta é tumba e útero,
É sempre se parir outro a cada instante
E morrer para outro momento e renascer.
Não desejo glória, ao menos que me ouçam
E nem tanto,
Pois que sejam surdos,
Mas me compreendam os gestos,
Se gestos de fato vêm de mim,
Se palavras possam sê-lo,
Contudo que nenhuma delas
Não seja somente sinceridade.

S. Quimas

terça-feira, 22 de julho de 2014

Coisas sem sentido

Arte: Norman Rockwell


Uma das coisas mais sem sentido que podemos fazer em nossas vidas é nos intrometermos naquilo que não nos diz absolutamente respeito. A outra, é não cuidarmos daquilo que nos diz.

S. Quimas


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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vem a noite e as sombras envolvem a montanha

São Sebastião - Guido Reni


Vem a noite e as sombras envolvem a montanha.
O ocaso é como a tua dolorosa partida,
E meu coração amargurado explode.
É minha alma se desfaz em escuridão,
Semeando miríade de estrelas,
Tentando negar o vazio, as trevas profundas
Que dominam o espaço sem fim.
Nada é maior do que a dimensão da tua ausência,
Da certeza inconteste da tua distância.
Quantas eternidades te busquei?
Quantas dores por ti senti?
Sangrei até a morte... Ressuscitei.
Meu corpo vacilou e prostrei-me em doença dolorosa,
Assassinei milhares de almas em guerras insanas...
E tudo, por quê? Por quê?
Para que ao menos migalhas de teu amor recolhesse.
Eu que venho de muito antes da fundação do mundo,
Exilado das estrelas distantes, senhor de poderes incontáveis,
Mas mesmo assim, um pobre, um menor,
Um desqualificado pela tua indiferença.
Mesmo assim voltei ao mundo, a tudo me submeti,
Às mais atrozes torturas...
Vivi vidas e vidas de incontável soma,
Por ti... Só por ti.

S. Quimas