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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Há uma coisa em mim que é fumo

Renascer: Amanhecer no Pinheiral - S. Quimas


Há uma coisa em mim que é fumo,
Uma lânguida oposição ao caminhar,
Uma doçura, razão para a total inércia.
É como um pão doce na vitrine de uma padaria,
Só gula, imergir no prazer do sabor,
Fazer-me render a ele totalmente.
Não sei o que digo, pois a loucura me domina
E meus versos não são mais razoáveis.
Sou vizinho da morte
E com ela tenho boas relações,
Quase aconchego.
Nada há de mórbido em meu pensamento,
Inevitável.
A bruma que escorre pela montanha,
Como leite que vasa pela teta da vaca
É branco.
Transformo em poesia
O texto que não replico em meu viver.
Nada, absolutamente nada
Tem importância alguma.
Mistério em mim mesmo,
Construções lúdicas de meu pensamento.
Nada a se entender,
Pois os versos fluem
E não há inteligência neles.
Não procuram sobreviver,
Que sejam momentos de tempo nenhum,
Mas totalmente meus.
Que não tenham significado,
Que sejam apenas versos
De um tempo não vivido,
Mas que calem em algum coração,
Como aquela canção que se repete,
Aquele que não abandona a mente,
Quando se acorda e quando o dia se finda,
Que seja, apenas verso
E nenhuma poesia.

S. Quimas

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vem a noite e as sombras envolvem a montanha

São Sebastião - Guido Reni


Vem a noite e as sombras envolvem a montanha.
O ocaso é como a tua dolorosa partida,
E meu coração amargurado explode.
É minha alma se desfaz em escuridão,
Semeando miríade de estrelas,
Tentando negar o vazio, as trevas profundas
Que dominam o espaço sem fim.
Nada é maior do que a dimensão da tua ausência,
Da certeza inconteste da tua distância.
Quantas eternidades te busquei?
Quantas dores por ti senti?
Sangrei até a morte... Ressuscitei.
Meu corpo vacilou e prostrei-me em doença dolorosa,
Assassinei milhares de almas em guerras insanas...
E tudo, por quê? Por quê?
Para que ao menos migalhas de teu amor recolhesse.
Eu que venho de muito antes da fundação do mundo,
Exilado das estrelas distantes, senhor de poderes incontáveis,
Mas mesmo assim, um pobre, um menor,
Um desqualificado pela tua indiferença.
Mesmo assim voltei ao mundo, a tudo me submeti,
Às mais atrozes torturas...
Vivi vidas e vidas de incontável soma,
Por ti... Só por ti.

S. Quimas