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sábado, 21 de março de 2015

Ao Dia da Poesia

Olga Suvorova - Golden Fin


A condição do poeta é viver todas as vidas e a sua mesma. Arder nas chamas das paixões e serenar em rincões que jamais pousou. É abster-se de si e se entregar à toda a vida. É colecioná-las e transbordá-las de si mesmo. E fazer pacto com Deus e não desprezar os demônios. Ser poeta é abarcar e abraçar a infinitude de todas as coisas e deixar-se ir através de brisas e cruzar tormentas. É traçar linhas e encantar. É ser odiado como ser e amado como artista. É fazer caber em si a totalidade, ainda que lhe estrangule o fôlego. Ser poeta não é fácil, é viver em si completamente tudo o que existe e sonhar o impossível... além.

S. Quimas

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Quero um amor verdadeiro

Krishna e Radharani


Quero um amor verdadeiro,
Porque o impossível
Pode acontecer.
Quero um amor calmo,
Como o cheiro de um travesseiro,
De lençóis limpos,
Mas também quero que se amassem
Nas ondas de nossos corpos.

Quero um amor verdadeiro
Que seja presença
E ausência de tudo antes.
Não que busque,
Mas que partilhe na fartura
Da mesa da existência
Tudo o que já é.

Quero o vinho e a embriaguez
De versos absurdos,
De falar de amor
E suas controvérsias, quero.
Quero grandeza e cada mínimo gesto,
Todas as preciosas horas
E todos infinitos momentos.
Poesia e sonho,
Realidade e devaneio.

Quero um amor verdadeiro
Que de todo me furte de mim,
Que me leve ao delírio, êxtase,
E quero tão somente, simples...
Amor.

S. Quimas

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eu não sou como os outros, meu amor

Escultura de Forest Rogers


Eu não sou como os outros, meu amor.
Aqueles que vieram a ti e fizeram vãs promessas.
Dias de luz e glória, não sou.
Sou aquele dos poemas, nem sempre perfeitos,
Mas que te traziam algum sentimento.
Não que queria te impressionar com minha poesia,
Com luxúria, amor, extasia,
Ilusões, exaltação, enfim...
Queria apenas uma vida simples,
Ler Pessoa e nos embriagarmos
Com seus versos.
Cecília, Quintana, Bandeira, Hugo e seus sonetos...
Queria que tu repousasses sobre meu ombro
E pudéssemos dormir uma noite sossegada.
Em alguns momentos, seduzido, como sou por ti,
Fazer teu corpo gritar de prazer...
Sabe? Sabe o que eu veramente queria?
Que tu fosses agora presença,
Não a distância imensa,
Esta toda que consome minha alma.
O que desejo não importa,
Tu fechas-te a porta
Do todo possível,
E fico aqui, escrevendo-te versos.
Do nada faço tudo,
E do impossível faço
Eterno amor.

S. Quimas