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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Poesia é vida

Jules Bastien-Lepage - Outubro


Poesia é vida,
Sonho e vigília.
Poesia é o possível realizado
E o todo impossível do mundo.
Não questiono mais.
Só sigo... Abduzido por ela.
A poesia me leva a conjecturas,
Que nem os deuses
E toda filosofia me levaram.
Trouxe-me para a loucura,
Mas por caminhos de prazeres sem fim.
Vivo o mundo inteiro,
Um deus, ou o que seja lá isso.
Incorporado por devaneios, delírios, deleites,
Sendo eu, eu mesmo e todos os seres.
E muito mais:
Toda e completa existência.
Sou assim a minha essência
E a própria vida.
Sangro em mim o mundo inteiro
E me curo na minha
Própria ferida.

S. Quimas

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Algo em mim se perde

Rembrandt van Rjin - Jeremias Lamentando a Destruição de Jerusalém


Algo em mim se perde,
Diáfano como a brisa a roçar em meu pescoço.
É como o pensamento
Que vem e, sem nos apercebermos,
Vai-se, tragado pela imensidão
De todos os outros tantos.
Lá longe, uma música triste
Rompe o silêncio,
Notas quase em surdina
Que a brisa me traz.
Lembro-me dela,
Não seria aquela de... De...
Não. Em mim não há certeza.
Melhor que somente a ouça,
Pois não importa qual seja,
Mas que esteja presente.
O banco em minha varanda está triste,
Pois há muito não lhe faço companhia.
A minha toda misantropia
Escava no tempo
Cavernas sem fim,
Milhares delas,
Onde a minha alma
Incorpora em todas as minhas ausências.
Já não sei de mim
— talvez, jamais o tenha sabido —,
Somente sei agora da música que persiste
E embala meu pensamento.
Vem chegando a noite
E o dia desfalece,
Só a música persiste
Numa repetição interminável.
Não sei em minha mente,
Ou de modo real.
Não sei mais o que seja.
Contudo, a música está em mim.
É como âncora que funda a nau da minha vida,
Dá-me porto, traz-me casa.
Quantas vezes procurei ser como firmamento,
Este exato que agora se anuncia
Com todas as suas infinitas estrelas à minha visão.
Porém, desde muito cedo,
Percebi que tudo se transforma
No caleidoscópio da existência.
Possa ser que as pedras sejam as mesmas,
Mas no girar dos momentos nada é igual.
Em vão tentei me agarrar às minhas vivências,
Porém minhas vivências eram como tronco
Que se deixava levar na imensidão
Do rio da vida
E assim quão mais o abraçava,
Em busca de salvação,
Mais me distanciava
De tudo o que fora,
Para, levado pela corrente,
Penetrar em águas desconhecidas.

A música persiste
E eu, apenas adormeço.

S. Quimas




segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ouçais a mensagem dos deuses

Prometeu


Ouçais a mensagem dos deuses,
Que vos clamam compaixão
Entre todos vós sem distinção.
Ouçais o retumbar dos tambores
Nos céus sem fim, na Eternidade,
Se é que vós compreendeis
Todo o tamanho significado.
Não vos abateis, pois dias de glória
Estão chegando tão certo,
Quanto certo é o curso de um rio.
Há ele de jorrar no mar
E todas as suas águas serão abraços.
Não vos preocupeis,
Renuncieis a ideias e pensamentos
Que vos toldam a consciência.
Não vos aparteis de vós mesmos,
Porque a glória sois vós.
Filhos da Criação,
Naturais do dom divino da existência.
Não vos aquebranteis
Pelos enganos que vos são impingidos.
Glória é vosso imenso destino.
Mas tenhais humildade
E de todo coopereis convosco mesmo
E fazei da obra de Deus
A vossa vocação.
Irmãos, que sejamos testemunhas
Do destino que sempre nos guiou.
Toda a glória porvindoura,
O louro que nos recobrirá a fronte,
A Eternidade e toda a vida
Que nos cabe,
Além do horizonte
E por toda a Eternidade.

S. Quimas

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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Quem sabe amanhã não seja outro dia?



Quem sabe amanhã
Não seja outro dia?
Quem sabe?
Quem sabe hoje,
Este dia seja tudo?
Quem sabe?
Nossa mente divaga...
Tudo o que aprendemos,
Todo nosso pensamento,
É apenas incerteza.
Diz-me aí, o que te resta?
Quero resposta honesta.
Resta-te apenas este momento,
O caldo do espaço-tempo.
Aproveita e goza.
Goza assim como a flor que surgi
E não sabe o mundo.
Sabe apenas o efêmero.
Talvez a flor seja inconsciente,
Mas não se atribule,
Nasce.
Não busque seduzir, não.
Apenas vem à existência.
Quantas flores surgiram e feneceram?
Milhões.
Pior os grilhões,
Que nos fazem
Jamais nascer.
Não porque estejamos aqui,
Que sejamos vivos.
Quem repete sonhos
É apenas clichê.
Caminho nas sombras,
No delírio eterno de mim mesmo,
Mas caminho,
Não me acovardo perante
À toda minha imensa insuficiência.
De mim não sei.
Se sei, são pelas contas que chegam.
Ah! Essas são fatuais.
Se vivo, devo,
Somente por viver.
A humanidade é estulta,
Não compreende o que é viver.
Abraça modelos,
Se enquadra.
Caminho lá, pueril,
Naquela estrada outra.
Aquela que faz sonho.
Por tal me condenam.
A minha pena?
Ser-me.
Não que eu seja exemplo.
Sou dentre muitos,
O mais entre todos,
Meramente um pária.
Pior, ainda esbravejo.
A poesia que me inunda
E me inunda de tal maneira,
Que eu mesmo não
A restrinjo em mim.
Tenho o despudor
De lançá-la no tempo,
Tenho a lascívia
De fazê-la pecado imenso,
Praticado a todos.
Não há a menor modéstia em mim.
Me creio poeta.
Talvez possa ser meio pueril,
Como a criança que fez uma descoberta.
Possa ser que eu não tenha acordado
De toda a minha infância
E assim prossiga um sonâmbulo.
Faço poemas indigestos como este.
Que dúvidas têm
Que não são apenas delírios.
Não sou...
E nem serei no mínimo razoável.
Cachorro que fuça lixo,
Um deplorável,
Mas preciso.
Tantas vidas eu tive,
Porém ainda estou aqui agora.
Flor que nasce,
Para num outro instante,
Apenas ir embora.

S. Quimas

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Amo-te sem pressa

Arte: Serge Mashennikov
À Meg

Amo-te sem pressa,
Sem zelo, mas não descuidado
Do todo amor que por ti sinto,
Pois todo amor já é aconchegar.
Amo-te em todos os momentos,
Mesmo na tormenta que me turva,
Pois tu és os raios que clareiam os meus céus,
O trovão que me rouba o repouso
E ainda assim, som de música.
Amo-te porque te amo,
Porque vivo e sinto.
Amo teu cheiro que não há
Quando distante estás
E ainda de todo pressinto
E também completamente já sei.
Que poesia te faria
Que fosse maior que meus sentimentos,
Que te poderia acrescentar se já és perfeita?
Não és resumo de mim,
Nenhuma vil seita,
Pois tu és toda minha existência.
O sol que se descortina
Na manhã que surge,
O clamor da noite
Disfarçada de Lua.
Tu és tudo,
Já assim nua a que a mim se entrega.
E nenhuma outra, somente tu.
Fico aqui vestido de meus sonhos,
De alma despida,
E ainda assim dor,
Pois não sei se flor,
Mas no jardim de minha vida,
Tu serás colhida
E serás meu doce e eterno amor.

S. Quimas

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Conhecer-se

Nebulosa - Foto: Telescópio Hubble


Olvida o que aprendeste para que possas aprender de ti mesmo. O excesso de fardo daquilo que não te pertence, só torna mais dificultoso o caminhar.
Saber do que são feitas as estrelas é muito bom, mas também o é só contempla-las numa noite de céu aberto e apenas percebê-las parte da toda existência.
Assim também é contigo e teu Ser.

Luz e paz.
S. Quimas


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sábado, 2 de agosto de 2014

Atitude e Sabedoria

Sri Krishna


O ato que demonstra a mais profunda sabedoria é o que reconhece, apesar de todo o comportamento e aparências, na profundidade de todas as coisas e no interior de todo o ser, o Deus que lhe é a real existência.
Namastê.

S. Quimas

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Compartilhando o Amor

Photo: http://www.childfund.org



Não há sentido em nossa existência e humanidade quando perdemos a nossa capacidade de sermos sensíveis às questões de outros seres humanos.
O que nos torna de fato humanos é a nossa capacidade de amar e o desejo profundo de compartilhar esse amor com nossos semelhantes.


Luz e paz.

S. Quimas

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Retrato de Dorian Gray

Retrato de Dorian Gray (original de 1945)

Não importam os caminhos seguidos, importam os pés que os trilham. Mesmo entre os maiores pecadores existem aqueles que transcenderão e sublimarão seus erros. Como entre os santos muitos há os que decairão, se deixando envolver por suas limitações.
Na vida, o que realmente importa é o momento, pois somos seres em constante mutação.
Julgar um homem pelo momento é imputar-lhe amanhã, uma pena por aquilo que já não é mais, ou seja, é condená-lo pelo crime cometido por um outro.
A existência deve ser observada com amplitude e largueza de espírito, e não com base numa apreciação sumária e apenas por um limitado ângulo.
Quem julga deve antes enfrentar o seu próprio reflexo no espelho e verificar se seu ego não se transforma, tal Dorian Gray, na figura de um monstro, antes de decidir sobre o valor de outro.
A verdade não passa de uma visão. Cuide que não seja apenas uma miragem o que tu vês.

Luz e paz.

S. Quimas


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