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sábado, 21 de março de 2015

Ao Dia da Poesia

Olga Suvorova - Golden Fin


A condição do poeta é viver todas as vidas e a sua mesma. Arder nas chamas das paixões e serenar em rincões que jamais pousou. É abster-se de si e se entregar à toda a vida. É colecioná-las e transbordá-las de si mesmo. E fazer pacto com Deus e não desprezar os demônios. Ser poeta é abarcar e abraçar a infinitude de todas as coisas e deixar-se ir através de brisas e cruzar tormentas. É traçar linhas e encantar. É ser odiado como ser e amado como artista. É fazer caber em si a totalidade, ainda que lhe estrangule o fôlego. Ser poeta não é fácil, é viver em si completamente tudo o que existe e sonhar o impossível... além.

S. Quimas

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Artista e a Normalidade

Vincent Van Gogh - Autorretrato


Tentar enquadrar um artista em uma condição de "normalidade" é como tentar agarrar o vento com as mãos.
Na infância, os pais castigam a fim de submetê-lo; não dá certo. Na adolescência, os amigos tentam convencer, outros adultos dão conselhos, mas também fracassam. Na fase adulta, casado, é a vez da mulher querer botar rédeas para a total frustração dela. Na velhice, acham-no caduco e excêntrico. Depois que morre, escrevem biografias sobre ele, que rendem fortunas aos seus biógrafos, pois todos os leitores acham sua vida fantástica. E é, pois não dá bola para o ti-ti-ti ao seu redor e segue realizando o que pensa ser o mais correto para si.

S. Quimas

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Memórias

Ilustração: Norman Rockwell


Não tenho sido a minha vida inteira uma pessoa muito razoável. Fui uma criança excêntrica, que muitas vezes se debruçava sobre livros e preteria as brincadeiras com os amigos. Enfurnava-me em meu quarto e só saia dali para comer e ir ao banheiro. Isso por dias seguidos quando em férias. Outras vezes, até me comportava, sendo uma criança como qualquer outra.
Quando adolescente, minha vida não foi muito diferente, mas gostava de ir aos bailes e suar um pouco a camisa nos fins de semana.
Desde os cinco anos me envolvo com a arte. Ela me foi, entre todas, minha companheira mais fiel. Aos dez comecei a pintar e venho fazendo isso a minha vida toda. Também foi com essa idade que produzi a minha primeira poesia, com direito à rima e métrica. Aos quatorze enveredei pelos contos. São milhares de páginas as que escrevi. Alguma coisa boa, alguma coisa, também, que não gosto, hoje olhando mais criticamente.
Frustrei todas as expectativas de minha família e me tornei artista profissional. Também, trabalhei anos com design.
Não sei. Olhando para trás e vendo por tudo que já passei me reconheço um irreverente, uma espécie de louco, jamais ajustado a qualquer situação. Não tenho estrutura para por muito tempo acomodado. Algo sempre se assanha em mim e eu vivo me despedindo de mim mesmo para ser outro. Possa ser um tipo de esquizofrenia existencial, onde milhões dos que eu fui e os milhões do que sou, emergem a todo instante. Porém, eu não quero cura. Enquanto estou vivo que vivam também através de mim.

S. Quimas

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Eu sou apenas um artista




Eu sou apenas um artista,
Uma singularidade,
Aberração no Universo...
Um querer expressar-se,
Uma via do Belo.
Não esse idolatrado.
Mas outro, até odiado,
Uma falácia, uma verdade sem absolutos.
Eu sou apenas um artista,
Uma construção nunca finda,
Uma obra interrompida e, súbita, assinada.
Eu sou... O que sou?
Toda a possibilidade.