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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Essa noite vão me matar



Essa noite vão me matar.
Vão me matar com suas absurdas certezas,
Com suas crenças que jamais se questionam.
Vão me matar pelo tédio da sua repetição,
De suas vidas comezinhas,
O sempre, mesmo, o sempre.
Vão me matar pelo tédio de suas mesmices,
De suas hipocrisias veladas em retórica
De firmezas que não há em si mesmos.
Vão me matar porque devo ser morto,
Pois morto deverei ser,
Já que não compartilho de inércia e grito.
Meu grito às vezes é o que é silêncio,
Pois muitas vezes silêncio é sinfonia,
É música maior.
Quem sabe do poeta o que vê?
Seus olhos se estrangulam num mundo de falácias,
Mas veem a tudo, como exatamente vê.
O que declara é ignomínia, é o prevaricar
Da sua consciência e o derramar da insuficiência,
Toda a sutileza da porrada que dá em sua alma
Para que acorde a cada instante
E só durma em seus sonhos e devaneios.
Ser poeta é tumba e útero,
É sempre se parir outro a cada instante
E morrer para outro momento e renascer.
Não desejo glória, ao menos que me ouçam
E nem tanto,
Pois que sejam surdos,
Mas me compreendam os gestos,
Se gestos de fato vêm de mim,
Se palavras possam sê-lo,
Contudo que nenhuma delas
Não seja somente sinceridade.

S. Quimas

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

sábado, 26 de janeiro de 2013

Urgência


Pintura de Vasily Polenov


É preciso urgência em escancarar as portas de nossas almas
E de corações abertos e com um sorriso franco rasgado em nossos rostos,
Abraçarmos quantos puder e em todo o tempo em que vivermos.
É preciso urgência em resgatar o Amor, a Verdade e a Sinceridade
Em nossas vidas sedentas de Paz Interior e famintas de humanidade.
É preciso urgência por atos heroicos em dizer “não” para tudo
O que ofende, discrimina, maltrata, escraviza e submete.
É preciso urgência em resolver as injustiças e as desigualdades,
A violência e as guerras, a indiferença com o sofrimento e dores alheias.
É preciso urgência em banir de nossa existência as banalidades,
As futilidades, o superficialismo que nos torna prisioneiros
Do que há de menor em nossos espíritos e vidas.
É preciso urgência em tomar as ruas e gritarmos a toda voz,
Exigindo compromisso dos governos em atender às necessidades das populações,
Em fazerem o melhor e respeitarem toda a confiança que lhes foi depositada.
É preciso urgência no pão que alimenta a quem tem fome,
Na água para aqueles que têm a garganta seca,
Na educação que valorize o homem e não naquela que o aliena,
Na real e equânime oportunidade para todos para que se desenvolvam e progridam.
É preciso urgência no Bem e no abandono de hábitos que nos corrompem,
Que nos tornam incapacitados ao contato com nosso Deus Interior.
Enfim, é preciso mais do que urgência em nos tornamos verdadeiramente
Humanos.



Luz e paz.

S. Quimas

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