Mostrando postagens com marcador menino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador menino. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Há coisas em minha vida

O Menino e o Coelho - Henry Raeburn

Há coisas em minha vida
Que são totalmente questionáveis,
Mas outras
De uma ponderação
Que beiram filosofia.
Versos tenho feito,
Uns razoáveis, outros nem tanto.
São dizeres,
São todos meus seres
E muitos não.
Uns razão,
Outros utopia,
Como se meus sonhos não sejam
Tão importante quanto
Minhas todas e mais severas elucubrações.
O meu mais reto pensamento
Fala de horas,
Essas todas vividas
E de todos os desejos.
Na praça o pipoqueiro
De gesto leve e sorridente
Serve a criança que já fui.
Tão somente memórias,
Talvez mesmo delírios de um mundo de fantasia.
Eu vejo o menino,
Esse todo que fui,
Busco a ele dentro de mim,
Queria que ele
Não tivesse jamais fim.
O que busco?
O menino caminha
Ainda em alguma estrada
Com seu pacote de pipoca.
Assim, alegre e sorridente,
Como se o mundo fosse esse simples prazer.
Por outro lado, o homem que foi menino,
De tal forma se angustia,
Vive sem viver,
Pois o que possa ser
Mais importante em todo o mundo,
Quiçá no Universo,
Do que simplesmente
Um pacote de pipoca?
Meramente isso,
Juízo do homem,
Essência do menino.
Como posso amá-lo menos,
Tamanha a sua simplicidade,
Tamanho o desejo por pipocas.
O menino vai,
Assim caminhando,
Meio que dançando pela estrada da vida.
Vai deixando cá,
Uma trilha de muitas feridas.
Porém, ainda quero vê-lo novamente
Com seu pequeno pacote,
Onde cabem as maiores delícias do mundo.

S. Quimas

sábado, 6 de junho de 2015

Para mim, você é como o sal

Tim Hall - Menino Solitário


À Meg Imbelissieri​

Para mim, você é como o sal
Que tempera o meu alimento
E, assim, aguça a fome,
O desejo a que não me contenho.
Até faço poesia, me torno sentimental.
E vou catando palavras,
Como menino, que na praia
Não atenta o mar,
Mas que busca na areia conchinhas
Para elas colecionar.
Não sei se esta poesia faz algum sentido.
Só sei da adoração
Que por ti completo tenho.
Só sei que é isso que importa.
Na morada de minha alma,
Toda a janela e toda porta
Se escancaram para ti.
Estes versos são pueris,
Mas são benditos,
Pois são versos de um menino,
Que só você
Fez de novo sorrir.

S. Quimas

Obrigado por sua  visita. Visite a minha página de arte no Facebook e conheça a minha pintura.

domingo, 17 de maio de 2015

As luzes retornam mais tarde



As luzes retornam mais tarde,
Agora, só a noite
E as incontáveis estrelas.
A melancolia me toma,
Não que ela seja indesejável.
Ela que sempre foi companheira
De minhas conversas intermináveis
Comigo mesmo.
Lá fora, o frio imenso,
Aqui não menos.
Minha alma reza pelo nascer do sol.
Passam-se as horas
E meu falar interior
Toma-me assim por completo.
Horas não sei o que diz,
Muito não está claro.
Canso de pessimismo,
De indulgência
Com todo o meu não sentido.
Não sei se sou quem escreve,
Talvez minha mão só repita
Uma caligrafia alheia.
De fato não sei.
Mas também, por que sabê-lo.
Poesia não é mistério?
Acaso o poeta o revela?
O poeta só embala
Quem o lê em sonhos.
Uns alegrias, mais felizes,
Outros, uma espinha de peixe
Que teima na garganta.
O que seria da poesia
Sem o desencanto e as dores?
Talvez serenidade,
Porém não falaria do humano.
Nisso a poesia é campeã.
Nada mais senão ela
Para dizer de nossas todas as aflições.
Mais que o rio que flui
Infinitamente suas águas,
A poesia derrama copiosamente
Sentimentos infinitamente.
Eu poderia falar de um menino
Que saltita no campo,
Da sua alegria,
Mas o menino já não salta.
Percebeu como adulto
E se abateu,
Que saltar não cabe ao adulto,
Que tudo o que é infância
É completamente impróprio
E de todo ridículo a um homem.
Tem horas que o menino retorna
E por mias vil que seja
O homem se comporta como ele.
Que mal há em saltar?
Assim se questiona o homem.
Talvez o menino só aguarde
Nascer novamente o dia.
Assim que o sol brotar
Horizonte acima,
Para tomar estrada
E se apossar da vida.
Nele, não é o homem
Que deveras acorda,
Porém o que na sua contradição,
Jamais cerrou a porta
Do seu coração.
Coração menino,
Lavado de angústia e dor,
Contudo, um ponto de luz,
Ainda que pequenino,
Em meio à escuridão de seus dias.
Ponto que se perde no infinito,
Irmão de todas as estrelas.

S. Quimas

domingo, 29 de junho de 2014

Menino

O Menino e o Coelho - Henry Raeburn


De longe o menino
Que eu fui
Espia os meus dias de hoje
E sua curiosidade
Tem a imensidão
De todas as horas que vivi.
De lá,
Ele me faz caretas
E depois às gargalhadas
Ele ri.
Eta, menino travesso!
Ralho com ele.
Mas ele
Dá de ombros a mim
E faz cara de sonso
E de novo volta
A gargalhar.
Então quem ri
Sou eu
E rio tanto
Que o menino estranha
E de semblante triste,
Uma lágrima
Escorre-lhe pelo rosto.
Há muito
Não via minha risada,
Da minha face
Só lágrimas.
Dou-lhe adeus
E me vou,
Triste, volto ao pranto,
Pensando no menino que fui...
E no homem que sou.

S. Quimas

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Le Mat

Le Mat (O Louco)


A poesia vem, simplesmente vem...
Ela fala em minha mente e mais nada.
Sempre foi assim, desde menino,
Se um menino eu fui como os outros.
A minha história é triste,
Como muitas são,
Mas transformei as dores em poesia.
Do esterco da minha vida
Cultivei flores que se abrem em luz.
Luz e poesia, sempre.
Não há crueldade no destino,
A vida é o que é.
Não que eu me conforme,
Constato.
Lucidez na orgia do sonho.
Quantos estiveram comigo
E nunca de fato se fizeram presentes?
Não porque não os sentisse perto,
Mas porque a mim estavam alheios.
Eu passo por aqui como uma sombra
Que causa arrepios,
Um momento de perplexidade
E já vou tomando caminho,
Pois o que vivo é caminho
E jamais lugar.
Não há pouso para minha alma.
Onde me aconchegar?
Lugar nenhum...
Apenas sigo,
E no ar uma melodia
Que parece Chopin.
Reconheço os acordes,
Sim é.
E sigo, ainda que um cão
Morda-me a bunda.

S. Quimas

Pinto nuvens nas poças de lama



Pinto nuvens nas poças de lama,
Num universo que jamais existiu
E se houve, nele não vivi.
Só a minha poesia o sabe
E da chuva que abraçou a terra,
Criando as poças onde desenho.

São nuvens de diversas formas,
Umas, redemoinhos,
Outras, feito carneirinhos
Que saltam alegres
As cercas sem travessão.
Mas se lhes dei vida
No desenho que fiz,
Também lhes dei imaginação.
E, assim, brincam de faz-de-conta,
Pondo madeiras onde só há vazio.

Hoje eu mesmo já não sou eu,
Sou menino,
Um moleque agachado
Brincando na lama.
Essa criança
Jamais cresceu,
Vive sempre menino
E vai estar ali,
Rindo a mais querer,
Se divertindo
Pintando nuvens nas poças de lama.

S. Quimas