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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Quem sabe agora os meus escritos

Nu Masculino - Autor desconhecido

Quem sabe agora os meus escritos
Deixassem as sombras
E se revelassem à luz?
Quem sabe os versos descabidos,
Os impensados, a rimas vis,
Se transformassem em flor?
Simplesmente em flor.
Quem sabe?
Quem sabe todo o sentimento,
Tudo aquilo dito e do muito falado
Teria tão somente agora tal significado?
Toda a poesia tarda em ser a si.
A maior delas é aquela que se repete,
A que sempre se lê e é ainda outra,
Ainda que a se leia incontáveis vezes,
Pois seu prazer, ou a sua tortura,
Simplesmente nos leva a alma,
Rouba-nos o sossego,
Simplesmente nos toma.
Poesia é mundo de cruzes,
Do desejo insatisfeito,
Ou das lembranças perdidas,
Ou das alegrias, dos amores.
É-nos ferida aberta,
Doença sem cura,
Total perdição,
Miragem, razão.
Poesia é a completa imersão
No mais profundo de nós,
Tênues certezas de coisa nenhuma,
Droga que nos alucina,
Sem droga nenhuma ser,
Mas que nos furta por completo.
Ah! Poesia, poesia...
Maravilha essa construída de palavras apenas.
Toda imensidão,
Tingida de estrelas negras
Sobre o infinito branco do papel.

S. Quimas

domingo, 17 de maio de 2015

As luzes retornam mais tarde



As luzes retornam mais tarde,
Agora, só a noite
E as incontáveis estrelas.
A melancolia me toma,
Não que ela seja indesejável.
Ela que sempre foi companheira
De minhas conversas intermináveis
Comigo mesmo.
Lá fora, o frio imenso,
Aqui não menos.
Minha alma reza pelo nascer do sol.
Passam-se as horas
E meu falar interior
Toma-me assim por completo.
Horas não sei o que diz,
Muito não está claro.
Canso de pessimismo,
De indulgência
Com todo o meu não sentido.
Não sei se sou quem escreve,
Talvez minha mão só repita
Uma caligrafia alheia.
De fato não sei.
Mas também, por que sabê-lo.
Poesia não é mistério?
Acaso o poeta o revela?
O poeta só embala
Quem o lê em sonhos.
Uns alegrias, mais felizes,
Outros, uma espinha de peixe
Que teima na garganta.
O que seria da poesia
Sem o desencanto e as dores?
Talvez serenidade,
Porém não falaria do humano.
Nisso a poesia é campeã.
Nada mais senão ela
Para dizer de nossas todas as aflições.
Mais que o rio que flui
Infinitamente suas águas,
A poesia derrama copiosamente
Sentimentos infinitamente.
Eu poderia falar de um menino
Que saltita no campo,
Da sua alegria,
Mas o menino já não salta.
Percebeu como adulto
E se abateu,
Que saltar não cabe ao adulto,
Que tudo o que é infância
É completamente impróprio
E de todo ridículo a um homem.
Tem horas que o menino retorna
E por mias vil que seja
O homem se comporta como ele.
Que mal há em saltar?
Assim se questiona o homem.
Talvez o menino só aguarde
Nascer novamente o dia.
Assim que o sol brotar
Horizonte acima,
Para tomar estrada
E se apossar da vida.
Nele, não é o homem
Que deveras acorda,
Porém o que na sua contradição,
Jamais cerrou a porta
Do seu coração.
Coração menino,
Lavado de angústia e dor,
Contudo, um ponto de luz,
Ainda que pequenino,
Em meio à escuridão de seus dias.
Ponto que se perde no infinito,
Irmão de todas as estrelas.

S. Quimas

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tem coisa que me ilumina

O Firmamento


Tem coisa que me ilumina,
Como a escuridão profunda da noite
Brincando com a minha visão
Com seu bordado de estrelas,
Feito um manto negro
Salpicado de purpurina.

S. Quimas

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Conhecer-se

Nebulosa - Foto: Telescópio Hubble


Olvida o que aprendeste para que possas aprender de ti mesmo. O excesso de fardo daquilo que não te pertence, só torna mais dificultoso o caminhar.
Saber do que são feitas as estrelas é muito bom, mas também o é só contempla-las numa noite de céu aberto e apenas percebê-las parte da toda existência.
Assim também é contigo e teu Ser.

Luz e paz.
S. Quimas


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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Amo-te com tão febril amor

Scott Burdick - Karla com Lenço Branco


Amo-te com tão febril amor,
Que minha alma arde em luminosas chamas,
Numa paixão qual a explosão de mil estrelas,
Galáxias que se abraçam no espaço sem fim.
Perde-se para mim o tempo,
Pois todas as minhas horas são tuas,
E nelas, meu pensamento te vive por completo.
Nem mais sei se existo eu,
Pois tu és já toda a minha existência:
O fôlego que respiro,
O pão que me alimenta,
A água que me sacia a sede;
És a aurora dos meus dias
E o ocaso de minhas noites,
Princípio e fim,
E toda a Eternidade.

S. Quimas