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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sucumbo na imensidão de teu carinho



Sucumbo na imensidão de teu carinho,
Na tua compreensão de minhas amarguras,
Da minha falta inequívoca de senso,
De toda a minha loucura atroz.
Elejo-te minha única esperança,
Aquela que se traduz em minha própria vida,
O meu Bem e o maior deles.
Enfim, nada maior que a Eternidade.
És punhal que me trespassa a alma,
És também no espelho do lago
A maior e mais divina calma.
Tu és. Assim... Tudo isso.
Para sempre, apenas e imensamente,
Meu amor.

S. Quimas

sábado, 13 de dezembro de 2014

Reflexões

Cassini - Foto: NASA


O discurso do silêncio é a retórica mais perfeita frente à ignorância, pois os ouvidos de quem não quer se alimentar de sabedoria são mais surdos do que uma pedra.

A ação mais digna sempre será aquela que avalia o oponente como sendo si mesmo e reconhecendo a possibilidade de sermos tão falhos quanto ele.

A luz não busca as trevas, mas só brilha por ela existir.

O caminho do sábio é antes estrada para si mesmo.

Renunciar-se é ação de ser o Universo todo em si mesmo, mas não atitude de não se reconhecer ao contrário.

Não há busca, somos todos encontrados. A questão é que nossos sentidos são lentos em percebê-lo. Guia tua vida não por eles, mas pela confiança da tua própria Luz. Ainda que estiveres errado, melhor a mentira própria do que a que te tentam impingir. Que sejas falho, mas não te aquebrantes em meio ao caminho. A perfeição está no caminhar. Não há afinal encontro, pois o que importa já era si mesmo desde o início da caminhada e tu sempre foste tua inteira companhia.

Só aprende quem labora no campo da própria ignorância. O campo é infinito.

Acorda, pois o Universo não é só as estrelas e corpos celestes. Também tu és. Teus olhos não veem tudo, porém que te reconheçam parte da imensidão.

A vida é delírio. Embriaguez de existência. Siga em êxtase.

Luz e paz.

S. Quimas

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domingo, 29 de junho de 2014

Menino

O Menino e o Coelho - Henry Raeburn


De longe o menino
Que eu fui
Espia os meus dias de hoje
E sua curiosidade
Tem a imensidão
De todas as horas que vivi.
De lá,
Ele me faz caretas
E depois às gargalhadas
Ele ri.
Eta, menino travesso!
Ralho com ele.
Mas ele
Dá de ombros a mim
E faz cara de sonso
E de novo volta
A gargalhar.
Então quem ri
Sou eu
E rio tanto
Que o menino estranha
E de semblante triste,
Uma lágrima
Escorre-lhe pelo rosto.
Há muito
Não via minha risada,
Da minha face
Só lágrimas.
Dou-lhe adeus
E me vou,
Triste, volto ao pranto,
Pensando no menino que fui...
E no homem que sou.

S. Quimas