Mostrando postagens com marcador pranto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pranto. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Todas as nuvens

Arte: Jose Luiz Munhoz


Todas as nuvens
Que me chegam a meu céu
São imensas auroras de tingidos rubros e alaranjados.
Já não são todos anjos,
Esses me abandonam.
Querubins de renúncia,
Já não me suportam.
Serei vil?
Não. Poeta.
Encarno em mim Deus
E o todo outro o profano.
Sou aconchego
E total abandono.
Sou rima,
Mais ainda sem sê-lo, desafio.
Sou como rio
Que corre para o mar.
Sou o sulco da terra
Vazada por todas as águas.
Mar, terra e ar...
Não sei de mim,
Nada sei,
Somente amar.
Não a mim,
Posso fundo,
Eternamente a mim de mim moribundo.
Beijo jamais dado,
Aquele que eternamente arrebata.
Virgem de mim mesmo,
Pois jamais completo
E assim tão repleto de tanto,
Que transformo a minha dor e pranto,
Nessa torpe harmonia,
Que chamo, se merece,
Poesia.

S. Quimas


domingo, 29 de junho de 2014

Menino

O Menino e o Coelho - Henry Raeburn


De longe o menino
Que eu fui
Espia os meus dias de hoje
E sua curiosidade
Tem a imensidão
De todas as horas que vivi.
De lá,
Ele me faz caretas
E depois às gargalhadas
Ele ri.
Eta, menino travesso!
Ralho com ele.
Mas ele
Dá de ombros a mim
E faz cara de sonso
E de novo volta
A gargalhar.
Então quem ri
Sou eu
E rio tanto
Que o menino estranha
E de semblante triste,
Uma lágrima
Escorre-lhe pelo rosto.
Há muito
Não via minha risada,
Da minha face
Só lágrimas.
Dou-lhe adeus
E me vou,
Triste, volto ao pranto,
Pensando no menino que fui...
E no homem que sou.

S. Quimas

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O pranto e a dor se fazem meu triste canto

A Tristeza de Orfeu - Pascal Adolphe Jean Dagnan-Bouveret


O pranto e a dor se fazem meu triste canto,
Nas linhas que ao mundo desleal escrevo,
Pois minh’alma é só horrendo desespero,
Tortura que não passa, sinistro lamento.
Já ser feliz e ter a paz eu não me atrevo,
Que a vida se consuma é o que espero.

O mundo tem belezas, mas a elas estou cego,
O meu sofrer é maior do que a visão.
E, assim, apenas deixo a vida passar
E a coisa nenhuma mais eu me apego,
Senão à minha agonia e à desilusão
Até que a vida vá afinal me matar.

S. Quimas

Mais e muito mais distante te vejo

Arte: Alexei Antonov


Mais e muito mais distante te vejo
E meu pranto farto a face desce,
Com tua dorida ausência doidejo
E a minha terrível aflição só cresce.

Abandonaste a mim tão rápido,
Não te pude na hora impedir.
Estava fraco, por demais tórpido,
Que te permiti para sempre ir.

Agora, fico aqui inconsolado,
Miríade de versos fazendo-te,
Ansiando estares ao meu lado
E doces juras de amor dizendo-te.

Mas entendo que nunca mais virás
E me resigno com todo o sofrer.
Seguirei esta sina tão tenaz
E amar-te-ei até enfim morrer.

S. Quimas