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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Todas as nuvens

Arte: Jose Luiz Munhoz


Todas as nuvens
Que me chegam a meu céu
São imensas auroras de tingidos rubros e alaranjados.
Já não são todos anjos,
Esses me abandonam.
Querubins de renúncia,
Já não me suportam.
Serei vil?
Não. Poeta.
Encarno em mim Deus
E o todo outro o profano.
Sou aconchego
E total abandono.
Sou rima,
Mais ainda sem sê-lo, desafio.
Sou como rio
Que corre para o mar.
Sou o sulco da terra
Vazada por todas as águas.
Mar, terra e ar...
Não sei de mim,
Nada sei,
Somente amar.
Não a mim,
Posso fundo,
Eternamente a mim de mim moribundo.
Beijo jamais dado,
Aquele que eternamente arrebata.
Virgem de mim mesmo,
Pois jamais completo
E assim tão repleto de tanto,
Que transformo a minha dor e pranto,
Nessa torpe harmonia,
Que chamo, se merece,
Poesia.

S. Quimas


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pinto nuvens nas poças de lama



Pinto nuvens nas poças de lama,
Num universo que jamais existiu
E se houve, nele não vivi.
Só a minha poesia o sabe
E da chuva que abraçou a terra,
Criando as poças onde desenho.

São nuvens de diversas formas,
Umas, redemoinhos,
Outras, feito carneirinhos
Que saltam alegres
As cercas sem travessão.
Mas se lhes dei vida
No desenho que fiz,
Também lhes dei imaginação.
E, assim, brincam de faz-de-conta,
Pondo madeiras onde só há vazio.

Hoje eu mesmo já não sou eu,
Sou menino,
Um moleque agachado
Brincando na lama.
Essa criança
Jamais cresceu,
Vive sempre menino
E vai estar ali,
Rindo a mais querer,
Se divertindo
Pintando nuvens nas poças de lama.

S. Quimas