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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Preferia não te amar tanto

Sri Krishna e Sri Radharani.


À minha Meg Imbelissieri​

Preferia não te amar tanto,
o tanto que te amo,
não ser poeta e não te declarar o meu todo sentimento.
Talvez, o mais comum dos homens,
esse que sustenta a vida
e simplório te acalanta nos teus dias.
Gostaria de ser seu cobertor no frio,
o que te areja no calor.
Mas algo em mim medonho,
como o Inferno que se acende,
muito mais demônio,
pois poeta. É minha alma
repleta de sonhos,
de dizeres que são vozes que a consomem.
Muitas falas e da loucura substrato,
pois te adoro completamente
e não sou mais nada que amante teu.
Prometeu acorrentado,
um que grita e brada
apesar de estar calado,
pois seu coração pulsa à revelia
e declara na vida, esta utopia,
de ti sou e tu de mim,
apenas aquém, o antes, o agora, o sem fim,
toda a poesia que posso,
o Pai Nosso, uma oração,
a rima incerta e lá toda a canção.
Queria... Queria que tu não me tocasses,
que fosses distante de minha realidade,
só pensamento, ilusão, devaneio,
porém tu te fizeste,
não o agora, mas toda a minha Eternidade.

S. Quimas

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domingo, 17 de maio de 2015

As luzes retornam mais tarde



As luzes retornam mais tarde,
Agora, só a noite
E as incontáveis estrelas.
A melancolia me toma,
Não que ela seja indesejável.
Ela que sempre foi companheira
De minhas conversas intermináveis
Comigo mesmo.
Lá fora, o frio imenso,
Aqui não menos.
Minha alma reza pelo nascer do sol.
Passam-se as horas
E meu falar interior
Toma-me assim por completo.
Horas não sei o que diz,
Muito não está claro.
Canso de pessimismo,
De indulgência
Com todo o meu não sentido.
Não sei se sou quem escreve,
Talvez minha mão só repita
Uma caligrafia alheia.
De fato não sei.
Mas também, por que sabê-lo.
Poesia não é mistério?
Acaso o poeta o revela?
O poeta só embala
Quem o lê em sonhos.
Uns alegrias, mais felizes,
Outros, uma espinha de peixe
Que teima na garganta.
O que seria da poesia
Sem o desencanto e as dores?
Talvez serenidade,
Porém não falaria do humano.
Nisso a poesia é campeã.
Nada mais senão ela
Para dizer de nossas todas as aflições.
Mais que o rio que flui
Infinitamente suas águas,
A poesia derrama copiosamente
Sentimentos infinitamente.
Eu poderia falar de um menino
Que saltita no campo,
Da sua alegria,
Mas o menino já não salta.
Percebeu como adulto
E se abateu,
Que saltar não cabe ao adulto,
Que tudo o que é infância
É completamente impróprio
E de todo ridículo a um homem.
Tem horas que o menino retorna
E por mias vil que seja
O homem se comporta como ele.
Que mal há em saltar?
Assim se questiona o homem.
Talvez o menino só aguarde
Nascer novamente o dia.
Assim que o sol brotar
Horizonte acima,
Para tomar estrada
E se apossar da vida.
Nele, não é o homem
Que deveras acorda,
Porém o que na sua contradição,
Jamais cerrou a porta
Do seu coração.
Coração menino,
Lavado de angústia e dor,
Contudo, um ponto de luz,
Ainda que pequenino,
Em meio à escuridão de seus dias.
Ponto que se perde no infinito,
Irmão de todas as estrelas.

S. Quimas

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Hoje está frio

Sobre a ponte - Autor desconhecido


Hoje está frio,
Quisera outro clima.
Alguns se aconchegam,
Eu percorro vielas.
— Um trocado, senhor,
Para o pão e o café?
Melhor pedir para a cachaça.
Ao menos torpor reconfortaria,
Seria assim mais verdadeiro,
Soaria-me mais real.
Não que eu recomendaria vícios,
Não que completamente
De modo nenhum os tenha.
Atravesso a rua
E outro me pede.
A sociedade é desigual.
Culpa de quem?
Do que pede?
Não sei. Nada posso afirmar.
Na minha indigência
O meu princípio
É acolher.
Não que eu mesmo seja
Algo de excepcional,
Mas por saber
O quanto somos falíveis.
Vi homens e mulheres
Se abaterem
E se transformarem em nada,
Absolutamente nada,
Pois sempre foram
Mendigos de suas ilusões.
A grandeza de seus trajes requintados
Viraram farrapos de suas crenças
No poder absoluto
De suas pretensões.
Lá fora
A água passa sob a ponte.
Nela uma criança se olha,
Encantada com seu reflexo.
Além dela o céu
E ela se vê
Despida, completamente nua,
De tudo o que a cerca,
Porém trajada, vestida por completa,
De todos os sonhos deste mundo.

S. Quimas

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