Mostrando postagens com marcador escuridão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escuridão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tem coisa que me ilumina

O Firmamento


Tem coisa que me ilumina,
Como a escuridão profunda da noite
Brincando com a minha visão
Com seu bordado de estrelas,
Feito um manto negro
Salpicado de purpurina.

S. Quimas

Obrigado por sua  visita. Visite a minha página de arte no Facebook e conheça a minha pintura.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Coisas que há em mim choram



Coisas que há em mim choram,
Outras sangram.
Umas são devaneios,
Outras pesadelos.
Feridas me recobrem a alma
Feito a pele de um leproso
E já não caminho mais,
Pois minhas pernas
Já não me sustentam
E os meus pés escarnados
Não se prestam ao andar.
Resta-me vaguear
Pela escuridão de meu espírito,
Sem bússola, sem estrela a me guiar.
Tudo em mim é fenecer,
Agudeza, aspereza, dor.
A alegria se esvaiu
Na imprecisão das horas,
Corroída pela mó das desventuras.
De mim só restam os versos
Que brotam do coração em andrajos,
Cantado pela voz rouca
Da garganta estrangulada pela melancolia.
Não quero que ninguém os leia,
Não quero que se esgotem com o meu mal.
Não quero.
Quero somente me dissolver,
Como a fumaça que sobe do cigarro

E me desencontrar no Infinito.

S. Quimas

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ângelus


Angelus - Jean François Millet


O Sol vai mergulhando no fio do horizonte
E a canção serena se levanta enchendo o ar.
É doce a melodia, quase um murmúrio,
Entoada em uníssono pelo coro angelical.
Enquanto o céu se enche de rubras nuvens
E vai morrendo o dia com lenta mansidão,
Toda a Natureza se prepara para as trevas
Que vem com a noite que vai nascendo,
Fazendo, lá bem distante, surgir aqui-e-ali
Salpicos acanhados de pontos luminosos.
Então, tudo se aquieta por um momento,
E em prece a Natureza enfim adormece,
Mas rápido acorda, pois a escuridão chega
E com ela vem a lua, fogosa e bela amante,
Que a envolve em mil beijos até o amanhecer.

S. Quimas


Obrigado por sua  visita. Visite a minha página de arte no Facebook e conheça a minha pintura.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Anjo de mãos escarnadas

O Mendigo Cego - Jules Bastien-Lepage


Anjo de mãos escarnadas,
Revira o lixo em busca de pão.
A vida lhe é feroz açoite,
Seja dia, seja à noite,
Só a dor sem compaixão.
Ah, meu anjo, te aquieta!
Já não estás sozinho,
Tens aqui o teu irmão poeta,
Que te estende ora a mão
Em meio ao teu tortuoso caminho.
Se não posso, por distante estar,
Afagar-te a cabeça descabelada,
Posso em meus versos por ti orar:
— Senhor, Tu que criaste do Nada
Ao Universo inteiro e ao homem,
Tua obra mais transtornada,
Faze sobre ele um lúmen,
Escancare-lhe os olhos para que veja,
Quanta injustiça no desamparo
De qualquer pequenino que seja
A um destino tão cruel e bárbaro.
Faze com que todo anjo execrado
Possa ser por Teu amor infinito
Um dia da miséria resgatado,
E se caso algum der um grito,
Que seja de plena alegria,
Pela felicidade de ser criança,
De poder viver toda fantasia,
De alimentar em si a esperança.
Enfim, Papai do Céu, meu Deus,
Não deixa mais que se perca nenhum
Dos pequeninos filhos Teus,
Mas se assim se fizer com algum,
Mesmo assim, protege-o da vilania,
Dos adultos malditos e atrozes.
Faze-lhes da omissa escuridão, dia,
E da sua mudez, o som de mil vozes.
Amém!

S. Quimas