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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Coisas que há em mim choram



Coisas que há em mim choram,
Outras sangram.
Umas são devaneios,
Outras pesadelos.
Feridas me recobrem a alma
Feito a pele de um leproso
E já não caminho mais,
Pois minhas pernas
Já não me sustentam
E os meus pés escarnados
Não se prestam ao andar.
Resta-me vaguear
Pela escuridão de meu espírito,
Sem bússola, sem estrela a me guiar.
Tudo em mim é fenecer,
Agudeza, aspereza, dor.
A alegria se esvaiu
Na imprecisão das horas,
Corroída pela mó das desventuras.
De mim só restam os versos
Que brotam do coração em andrajos,
Cantado pela voz rouca
Da garganta estrangulada pela melancolia.
Não quero que ninguém os leia,
Não quero que se esgotem com o meu mal.
Não quero.
Quero somente me dissolver,
Como a fumaça que sobe do cigarro

E me desencontrar no Infinito.

S. Quimas

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Aos poucos vai se apagando a vela



Aos poucos vai se apagando a vela.
É assim, consumida toda a cera.
Mas, a luz se faz mais intensa
E há claridade na escuridão das noites.
Nada é tão intenso
Como o sonho da Eternidade porvindoura,
Não há maior delírio.
Não, não há.
A vela clareia tempos
Que se perdem no eco de existências muitas,
Desvela segredos e formas.
Algo de melancolia em sua chama,
Pois tudo o que se recorda
Se esvai no tempo.
Estou partindo a cada instante
E, em mim, a todo momento
Outro vem.
Não pertenço a mim mesmo,
Sou deus de contínua metamorfose,
Imagem de um caleidoscópio
Que usa das mesmas peças,
Mas jamais replica no infinito
A mesma imagem.
O corpo já não suporta mais a Luz,
Essa cega a vida.
A vida o que é?
Vela...
Chama acesa na escuridão de um dia claro de sol.

S. Quimas

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Hoje estou vazio

Arte: Serge Mashennikov


Hoje estou vazio,
Feito a última garrafa
Do vinho já bebido.
Nada me apetece
E uma tristeza imensa,
Uma melancolia sem limites,
É do que se enche minha alma.

Há dias assim,
Dias em que o sol brilha luz negra,
Que o céu se tinge de trevas
E nenhuma estrela aparece.
Tudo é sombra,
Névoa que embaça a paisagem.
Até meus versos são ocos,
Sem ritmo,
Perdidos de toda a cadência,
Reféns da ausência
De qualquer sentido.

Hoje estou vazio,
Vazio de mim mesmo.
Quem sabe,
Amanhã eu retorne?
Só não quero,
Ao retornar,
Que encontre pelo caminho
A saudade de você.


S. Quimas