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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Quando você pousar suas mãos sobre meu corpo

Sri Krishna e Radharani


À minha Radharani

Quando você pousar suas mãos sobre meu corpo,
Não perjure suas promessas,
Não evite o meu prazer,
Seja apenas esse tudo que me diz ser, regala-me.
Não que em mim não haja crenças em maravilhas.
Mas, que coisas fantásticas desejo?
Carinho, afeto?
Simplesmente, você.
Sua entrega,
Não a renúncia de si mesma,
Mas a totalidade sua.
Quero, desejo sua carne nua
E também seu espírito.
Quero conversas em noites e dias que nunca findem,
Uma eternidade, nem que seja ela um minuto.
Quero a vida a seu lado,
Mesmo o obscuro que há em si,
Pois também não somos sombras?
Mas que sua sombra me conforte num dia quente de verão,
Que sejas como uma árvore em meu caminho,
Que me alimente e me proteja do sol,
Que eu possa repousar aos seus pés
E eu me lembre do perfume de suas flores.
Quero a você assim...
Uma estrela, ou apenas uma fagulha que seja,
No anoitecer dos meus dias.

S. Quimas

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Anjo de mãos escarnadas

O Mendigo Cego - Jules Bastien-Lepage


Anjo de mãos escarnadas,
Revira o lixo em busca de pão.
A vida lhe é feroz açoite,
Seja dia, seja à noite,
Só a dor sem compaixão.
Ah, meu anjo, te aquieta!
Já não estás sozinho,
Tens aqui o teu irmão poeta,
Que te estende ora a mão
Em meio ao teu tortuoso caminho.
Se não posso, por distante estar,
Afagar-te a cabeça descabelada,
Posso em meus versos por ti orar:
— Senhor, Tu que criaste do Nada
Ao Universo inteiro e ao homem,
Tua obra mais transtornada,
Faze sobre ele um lúmen,
Escancare-lhe os olhos para que veja,
Quanta injustiça no desamparo
De qualquer pequenino que seja
A um destino tão cruel e bárbaro.
Faze com que todo anjo execrado
Possa ser por Teu amor infinito
Um dia da miséria resgatado,
E se caso algum der um grito,
Que seja de plena alegria,
Pela felicidade de ser criança,
De poder viver toda fantasia,
De alimentar em si a esperança.
Enfim, Papai do Céu, meu Deus,
Não deixa mais que se perca nenhum
Dos pequeninos filhos Teus,
Mas se assim se fizer com algum,
Mesmo assim, protege-o da vilania,
Dos adultos malditos e atrozes.
Faze-lhes da omissa escuridão, dia,
E da sua mudez, o som de mil vozes.
Amém!

S. Quimas