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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Busca e Encontro


Galáxia NGC 5033 


O amor às vezes é severo, tresloucado, mas só germinará onde também o exista. Amar não tem foco, é antes a toda extensão do Universo. Nele cabe tudo, até o ódio que lhe opõe.
O ódio, o desprezo, o egoísmo, são apenas estágios da mesma natureza. É sentir além.
Quem não é capaz de sentir além de si, ainda que destrutivamente, está "morto" literalmente, pois se concebe único, ou assim se sente. Creio que não haja tal no Universo, se o há não tenho consciência.
Que sejamos mais fraternos, até conosco mesmos. Sendo irmãos de nossas almas, quiçá poderemos ser de todas outras.
Quem não se perdoa, jamais terá integridade no perdão ao outro.
Quem não é Amor, jamais amará.
Sejamos e nos perdoemos.
Nossa ciência e racionalidade, nossas doutrinas e religiões nos levaram a um separatismo que é uma total inverdade. Quem tem o melhor deus, quem tem a razão?
A razão é uma só: tudo existe e se transforma.
Que sejamos essa “metamorfose ambulante”, a mais completa. Ainda que tenhamos certezas, que sejam essas as nossas e respeitemos as alheias e compreendamos que tudo passa, pois mesmo nosso sol se extinguirá um dia e todo o sistema com ele.
Que o mundo seja de cooperadores e não de competidores, pois assim perecerá.
Cada hora urge em sua renúncia de nossas posturas rígidas, no abandono de nossas ilusões de grandezas, ou daquelas das nossas misérias autoimpostas. Sejamos apenas a nossa verdade.
Sejamos um, cada qual com sua sabedoria, cada qual com sua ignorância, mas todos com a compreensão de nossos limites e nos amparando em nossa transcendência.

S. Quimas

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Aos poucos vai se apagando a vela



Aos poucos vai se apagando a vela.
É assim, consumida toda a cera.
Mas, a luz se faz mais intensa
E há claridade na escuridão das noites.
Nada é tão intenso
Como o sonho da Eternidade porvindoura,
Não há maior delírio.
Não, não há.
A vela clareia tempos
Que se perdem no eco de existências muitas,
Desvela segredos e formas.
Algo de melancolia em sua chama,
Pois tudo o que se recorda
Se esvai no tempo.
Estou partindo a cada instante
E, em mim, a todo momento
Outro vem.
Não pertenço a mim mesmo,
Sou deus de contínua metamorfose,
Imagem de um caleidoscópio
Que usa das mesmas peças,
Mas jamais replica no infinito
A mesma imagem.
O corpo já não suporta mais a Luz,
Essa cega a vida.
A vida o que é?
Vela...
Chama acesa na escuridão de um dia claro de sol.

S. Quimas