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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Alienígenas

E.T., o extraterrestre, personagem do filme de Steven Spielberg.


Se me perguntarem o quê os alienígenas estão fazendo aqui na Terra, eu responderei: "Vêm aqui aprender emoções e resgatar a capacidade de derramar lágrimas com uma simples poesia, uma música, um pensamento de saudade, a sorrir com toda a coisa tola, a se sentir renovado com o sorriso de uma criança, a se encantar com o perfume da chuva lavando a terra, mas, principalmente, que seres tão imperfeitos e mediocremente tecnológicos são capazes ainda de sentir... simplesmente, amor".

S. Quimas

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sábado, 9 de agosto de 2014

A saudade que de ti sinto é uma espécie de loucura

Jean-Baptiste Camille Corot - Mulher com uma Pérola


A saudade que de ti sinto é uma espécie de loucura,
Insana dor que o amor insatisfeito provoca.
Resta-me a poesia por consolo,
Antes que se avilte minha alma
E me perca para sempre de todo para a realidade.
Na minha poesia converso com os meus sentimentos todos,
Como dois ébrios em uma mesa de bar.
Às vezes rimos às gargalhadas feito alucinados;
Outras, na mesa não haveria copos vazios
Para reterem em si todas as lágrimas derramadas.
É assim com quem é desmedido no que sente,
Naquele que se embebeda de vida e sensibilidade.
Por que deveria ser diferente?
Por que deveria ser mais contido?
Por que não a loucura, que gera versos,
Do que a pretensa sanidade deste mundo,
Que só gera ódio e guerras
Que assassinam crianças no seio de suas mães?
Melhor assim. Melhor não pertencer tanto à realidade.
Melhor sonhar contigo do que não te ter de modo nenhum.

S. Quimas

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Hoje estou vazio

Arte: Serge Mashennikov


Hoje estou vazio,
Feito a última garrafa
Do vinho já bebido.
Nada me apetece
E uma tristeza imensa,
Uma melancolia sem limites,
É do que se enche minha alma.

Há dias assim,
Dias em que o sol brilha luz negra,
Que o céu se tinge de trevas
E nenhuma estrela aparece.
Tudo é sombra,
Névoa que embaça a paisagem.
Até meus versos são ocos,
Sem ritmo,
Perdidos de toda a cadência,
Reféns da ausência
De qualquer sentido.

Hoje estou vazio,
Vazio de mim mesmo.
Quem sabe,
Amanhã eu retorne?
Só não quero,
Ao retornar,
Que encontre pelo caminho
A saudade de você.


S. Quimas


segunda-feira, 16 de junho de 2014

A estrada nua se abre para o abraço da floresta

Rebanho na Floresta - Ivan Shishkin

A estrada nua se abre para o abraço da floresta,
Que a recebe feito a amante que dócil se entrega.
A estrada segue serpenteando, penetrando-lhe
O seio, descortinando seus mais íntimos mistérios.
Pela estrada passa toda a gente: os que buscam algo
E todos aqueles que nada, pois há muito acharam.
Há os que busquem sonhos perdidos na paisagem,
Outros, aturdidos e desesperados, só encontram
Nas formas que se perdem nas sombras, pesadelos.
A estrada nada tem de especial, nem a floresta,
São apenas uma estrada e uma floresta comuns.
Ah! Mas há os olhos que produzem encantamentos,
Que veem onde nada há para ser visto de especial
Ou os que se enceguecem para tudo aquilo que é raro.
Há também os ouvidos que não se apercebem das aves
E de todo o seu canto mavioso e do farfalhar das folhas
Lambidas pelo vento, que também varre a poeira
Semeada na estrada que traça caminho pelas árvores.
Mas há também os ouvidos que ouvem as fadas,
Esses mais do que ouvem, pois escutam o inaudível.
Passa muita coisa pela estrada a todo o tempo,
Pela estrada passa mesmo de ti toda a minha
Inteira e infinita saudade. Na estrada passa
Mas não em meu coração.

S. Quimas

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Silêncio e a lembrança do teu perfume

Arte: Istvan Sandorfi


Silêncio e a lembrança do teu perfume...
É tudo o que restou.
A única coisa que fala, berra, grita, além,
E me consome,
É a saudade tua.
A saudade da tua voz,
Das juras de amor,
Dos sonetos de Florbela.
A saudade dos teus lábios,
Do teu corpo suado
Abandonado entre os lençóis,
Dos teus olhos perdidos,
Tomada de êxtase,
Imersa em prazer e gozo.
É tudo o que restou.
O silêncio, o teu perfume
E essa saudade que teima
Em jamais me abandonar.

S. Quimas