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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A mim, só a morte faz corte



A mim, só a morte faz corte,
Só ela se acerca de meu corpo
E se entrega feito prostituta,
Ao custo de minha vida.
Não mais como me desesperar,
Pois não há mais lágrimas a verter,
Minha alma secou
Feito um rio na estiagem.
Não há em mim
Espaço nenhum para nada,
Pois meu espírito transborda de vazios.
Não há espaço para tristeza,
Para dores, para desesperanças.
Não há espaço para a paixão,
Para o amor, ou para qualquer sentimento.
Tudo em mim está repleto de nada,
Um buraco negro sem fim.
Olho pela janela da minha alma
E o que vejo são sombras.
Foram-se as estrelas,
A brisa já não sacode as folhas
De um jardim que virou deserto.
Não há mais nuvens no céu,
Pois ele também não há.
Só vazio. Profundo e infinito
Nada.
Antes, havia a ti.
Antes, eu te havia.
Agora...
Nada.

S. Quimas

domingo, 20 de julho de 2014

Eu não importo

Uma Porta Aberta (Itália) - Anna Bain


Eu não importo,
Tu não importas,
Ele/Ela não importa,
Nós não importamos,
Vós não importais,
Eles/Elas não importam.
O que importa, então?
A porta?
Se ela, para onde se abre?
Não se sabe...
Tenta-se adivinhar,
Palpita-se, mais nada.
A porta abre,
Mas também tranca,
Isola.
É preciso chave,
Ou arrombar.
Mas o que importa,
Se a porta
Dá para o vazio?
Mesmo a ausência
É algo.
Não te atinge?
Não te fustiga e acutila?
Então importa.
A vida é porta,
Mas entrei
Nesse mundo
Pela janela.

S. Quimas

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Hoje estou vazio

Arte: Serge Mashennikov


Hoje estou vazio,
Feito a última garrafa
Do vinho já bebido.
Nada me apetece
E uma tristeza imensa,
Uma melancolia sem limites,
É do que se enche minha alma.

Há dias assim,
Dias em que o sol brilha luz negra,
Que o céu se tinge de trevas
E nenhuma estrela aparece.
Tudo é sombra,
Névoa que embaça a paisagem.
Até meus versos são ocos,
Sem ritmo,
Perdidos de toda a cadência,
Reféns da ausência
De qualquer sentido.

Hoje estou vazio,
Vazio de mim mesmo.
Quem sabe,
Amanhã eu retorne?
Só não quero,
Ao retornar,
Que encontre pelo caminho
A saudade de você.


S. Quimas