Blog oficial do artista plástico, designer e escritor S. Quimas. Artes plásticas, literatura em prosa, poesia, ensaios filosóficos e outros textos escritos pelo autor.
terça-feira, 9 de maio de 2017
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Poesia é vida
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| Jules Bastien-Lepage - Outubro |
Poesia é vida,
Sonho e vigília.
Poesia é o possível realizado
E o todo impossível do mundo.
Não questiono mais.
Só sigo... Abduzido por ela.
A poesia me leva a conjecturas,
Que nem os deuses
E toda filosofia me levaram.
Trouxe-me para a loucura,
Mas por caminhos de prazeres sem fim.
Vivo o mundo inteiro,
Um deus, ou o que seja lá isso.
Incorporado por devaneios, delírios, deleites,
Sendo eu, eu mesmo e todos os seres.
E muito mais:
Toda e completa existência.
Sou assim a minha essência
E a própria vida.
Sangro em mim o mundo inteiro
E me curo na minha
Própria ferida.
S. Quimas
Janeiro já termina
Janeiro já termina
E eu abraço o vento
E me faço irmão de todas as tormentas.
Sou os raios que chispam
No manto cinza em convulsão.
Sou a água que lava a terra
E o cheiro bom que dela nasce,
Inundando todo o ar.
Sou o canto grave dos trovões
E a vibração que faz tremer as janelas.
O ruído das gotas salpicando os telhados
E sou também elas a escorrer pelas calhas,
Morrendo no chão das calçadas.
Sou o dilúvio que assola
E a rega que faz germinar os campos.
Sou o que traz o verde da vida nascente
E o preto do luto pelos que partem nas tragédias.
Sou a glória da Criação
E a ira do Criador.
Sou a devastação que aniquila
E a singela gota que passeia
Pela pétala umedecida de uma flor.
Sou completamente tudo...
Todos os meus imprecisos delírios,
Meus todos e grandiosos devaneios.
Sou o êxtase do mundo
E o apagar-se em sua morte.
Sou a areia, que arredia se levanta nos desertos,
A chuva que esbate o solo,
O vento que sussurra na brisa
E o que grita tremendo nas tempestades.
Minha alma está assim de tudo repleta,
Pois a sorte me fadou a ser poeta.
S. Quimas
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sábado, 23 de janeiro de 2016
Eu quero me matar de sorrisos
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| Ivan Shishkin - Manhã Enevoada |
Eu quero me matar de sorrisos
E tantos deles que me alucinem.
Não quero ser nada razoável
De tudo o que não seja eu mesmo.
Não quero acordar cedo,
Mas quando acorde,
Que levante embriagado de vida.
Quero tanto
E sou apenas tão somente mero:
Tudo o que fui,
O que sou
E o que viverei.
Em mim não há razão,
Somente a embriaguez dos meus dias,
A companhia de um porvir
Imaculado como uma hóstia.
Contudo, a hóstia é ceia
E devo provar o cálice,
Finda a reunião, do meu sacrifício.
Por que chamar de paixão
Um destino de morte.
Há quem se apaixone
Por tal sinistra sorte?
Sei não. Poesia é quimera,
Coisa de estúpido,
De quem não vive a verdade,
Essa estupidez desse mundo.
Um desigual,
Onde todo o sentimento é proibido,
Onde amar não é sentido,
Mas renúncia à verdade.
Enfim... Onde tudo tem que ser
Exatamente o que é.
S. Quimas
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Há coisas em minha vida
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| O Menino e o Coelho - Henry Raeburn |
Há coisas em minha vida
Que são totalmente questionáveis,
Mas outras
De uma ponderação
Que beiram filosofia.
Versos tenho feito,
Uns razoáveis, outros nem tanto.
São dizeres,
São todos meus seres
E muitos não.
Uns razão,
Outros utopia,
Como se meus sonhos não sejam
Tão importante quanto
Minhas todas e mais severas elucubrações.
O meu mais reto pensamento
Fala de horas,
Essas todas vividas
E de todos os desejos.
Na praça o pipoqueiro
De gesto leve e sorridente
Serve a criança que já fui.
Tão somente memórias,
Talvez mesmo delírios de um mundo de fantasia.
Eu vejo o menino,
Esse todo que fui,
Busco a ele dentro de mim,
Queria que ele
Não tivesse jamais fim.
O que busco?
O menino caminha
Ainda em alguma estrada
Com seu pacote de pipoca.
Assim, alegre e sorridente,
Como se o mundo fosse esse simples prazer.
Por outro lado, o homem que foi menino,
De tal forma se angustia,
Vive sem viver,
Pois o que possa ser
Mais importante em todo o mundo,
Quiçá no Universo,
Do que simplesmente
Um pacote de pipoca?
Meramente isso,
Juízo do homem,
Essência do menino.
Como posso amá-lo menos,
Tamanha a sua simplicidade,
Tamanho o desejo por pipocas.
O menino vai,
Assim caminhando,
Meio que dançando pela estrada da vida.
Vai deixando cá,
Uma trilha de muitas feridas.
Porém, ainda quero vê-lo novamente
Com seu pequeno pacote,
Onde cabem as maiores delícias do mundo.
S. Quimas
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