Mostrando postagens com marcador embriaguez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador embriaguez. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Quero um amor verdadeiro

Krishna e Radharani


Quero um amor verdadeiro,
Porque o impossível
Pode acontecer.
Quero um amor calmo,
Como o cheiro de um travesseiro,
De lençóis limpos,
Mas também quero que se amassem
Nas ondas de nossos corpos.

Quero um amor verdadeiro
Que seja presença
E ausência de tudo antes.
Não que busque,
Mas que partilhe na fartura
Da mesa da existência
Tudo o que já é.

Quero o vinho e a embriaguez
De versos absurdos,
De falar de amor
E suas controvérsias, quero.
Quero grandeza e cada mínimo gesto,
Todas as preciosas horas
E todos infinitos momentos.
Poesia e sonho,
Realidade e devaneio.

Quero um amor verdadeiro
Que de todo me furte de mim,
Que me leve ao delírio, êxtase,
E quero tão somente, simples...
Amor.

S. Quimas

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O pinguço e a missa

Os Perigos de ser um Bêbado - Adam Metzner

Entrou na igreja bêbado feito gambá cevado. Sentou-se num dos bancos à esquerda, numa das últimas filas.
Rapidamente chamou a atenção dos presentes devido ao cheiro de cachaça que exalava, inundando o ambiente.
Por alguns momentos, todos se voltaram para o visitante indesejável, porém, com um pigarreio, o padre reconduziu a assistência à rotina da missa.
A missa seguia e o bêbado não aguentando mais os efeitos do porre, pegou no sono.
 Depois de alguns minutos passou a roncar escandalosamente, causando verdadeira comoção entre os presentes.
Os cochichos foram inevitáveis, e a atenção à pregação se dissipou mais uma vez. Notando o fato e aborrecido com o homem embriagado, o sacerdote pediu licença aos fieis e, descendo do púlpito, dirigiu-se ao banco onde dormia o causador de tantos problemas.
— Hei! Hei! — Chamou o padre, sacudindo o bêbado por um dos ombros, sob o olhar curioso de todos ali. — Acorde!
O gesto logrou inútil, o homem estava totalmente inconsciente devido à embriaguez.
Assim, o padre resolveu chamar dois homens da assistência para ajudá-lo a remover o embriagado.
Levaram-no para a sacristia e colocaram-no deitando em um sofá.
Fazendo o sinal da cruz diversas vezes e olhando para o alto na busca de conforto, o padre se retirou com seus ajudantes, voltando ao púlpito, fazendo prosseguir o ritual religioso.
Por volta de uns trinta minutos após, para estupefação geral, eis que o ébrio, vindo da sacristia, dirige-se ao vigário e diz com voz ainda visivelmente embriagada:
— Sua Santidade! Psiu!
O padre paralisado ouve o homem.
— O vinho eu encontrei. É muito bom. Mas onde o senhor guarda o patê para passar nas bolachinhas que estão no armário?
O sacerdote desmaiou.

S. Quimas 

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Carta à Djanira

Adriaen Brouwer - O bitter


Já não há coisa possível entre nós, Djanira.
E logo entre mim e você.
Nós que outrora desmedidamente nos amamos,
Que nos regalamos com tanto prazer
Nas nossas apaixonadas noites insones.

De mim você tolerou tudo:
A embriaguez cotidiana,
As discussões sem fim.
Até os socos e as bofetadas,
Você estoicamente suportou.

Eu sinto muito não ter-lhe feito feliz.
Amei você, mas meu amor insano
Não soube a decência de tratar-lhe bem.
Mais do que amante seu
Amei as ruas e todos os vícios.
E se entreguei a você o meu coração,
A minha alma dei à perversão.

Por isso, Djanira, melhor que eu me vá,
Que poupe você da minha desastrosa presença,
Que não lhe leve junto para o abismo
No qual arremesso meus dias e noites.

Sei que você vai sofrer,
Pois até aos piores venenos se acostuma.
E é isso que tenho sido em sua vida,
Um tóxico que lhe mina o espírito
E furta-lhe a serenidade.

Por isso, Djanira, melhor que eu parta,
Que vá para bem distante de sua conformidade,
Pois sua indulgência com meus pecados
É como espelho a refletir os desajustes vários
E as muitas transgressões de minha alma pervertida.
Por isso, sequer posso mais olhar sua face
Sem ficar nauseado pelas tantas culpas que carrego.

Já não há coisa possível entre nós, Djanira.
Então, enquanto ainda me resta alguma sobriedade,
Digo-lhe: adeus!

S. Quimas

Obrigado por sua  visita. Visite a minha página de arte no Facebook e conheça a minha pintura.