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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Hoje está frio

Sobre a ponte - Autor desconhecido


Hoje está frio,
Quisera outro clima.
Alguns se aconchegam,
Eu percorro vielas.
— Um trocado, senhor,
Para o pão e o café?
Melhor pedir para a cachaça.
Ao menos torpor reconfortaria,
Seria assim mais verdadeiro,
Soaria-me mais real.
Não que eu recomendaria vícios,
Não que completamente
De modo nenhum os tenha.
Atravesso a rua
E outro me pede.
A sociedade é desigual.
Culpa de quem?
Do que pede?
Não sei. Nada posso afirmar.
Na minha indigência
O meu princípio
É acolher.
Não que eu mesmo seja
Algo de excepcional,
Mas por saber
O quanto somos falíveis.
Vi homens e mulheres
Se abaterem
E se transformarem em nada,
Absolutamente nada,
Pois sempre foram
Mendigos de suas ilusões.
A grandeza de seus trajes requintados
Viraram farrapos de suas crenças
No poder absoluto
De suas pretensões.
Lá fora
A água passa sob a ponte.
Nela uma criança se olha,
Encantada com seu reflexo.
Além dela o céu
E ela se vê
Despida, completamente nua,
De tudo o que a cerca,
Porém trajada, vestida por completa,
De todos os sonhos deste mundo.

S. Quimas

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Cumpriram-se as profecias

Gollum - Cena de O Senhor dos Anéis


Cumpriram-se as profecias
E o delírio de todos os profetas.
Já não há graça,
O mundo segue órfão,
Pois o pai e mãe do mundo
É, em real, aquilo que jamais conhecerá,
Mas conhece os tutores:
Ignorância e ganância.
O mundo consome o seu próprio corpo,
Se esgota em si mesmo.
Resguardem os infantes,
Torne-lhes a vida ao menos amena,
Pois a hora dos demônios chegou.
A insanidade nasce com o sol de cada dia
E a esperança fenece após um segundo.
Assim é...
Não lamentem o já esperado,
O tudo que a profecia revelou.
Nada há de mítico nas palavras,
Somente há pura constatação
Do fracasso vergonhoso dessa raça indolente.
Louvam a um deus de que nada sabem,
Pregam misericórdias que não praticam.
Sua religião é imunda,
Pois declara a condenação de si mesmos.
Seja assim.
Os homens se tornaram punhais de si e de tudo.
Armas que esfacelam a toda a coisa.
Não há mais luz,
Talvez muito pouca para ser de fato percebida.
Só gritam sombras no dia.
Zumbis atravessam as ruas
Dominados pela tecnologia.
Vãs são suas preocupações,
Não mais, se houve em algum tempo,
Consciência.
Que há o poeta de falar em seus versos,
Se não o que constata em seus sentimentos?
Vômito é o que resta.
Alívio às trevas que consomem os dias e noites,
O simples jogar para fora
A infâmia de qualquer contaminação.
Não que virgindade haja,
Mas há um mínimo,
Um mínimo mesmo,
De dignidade.

S. Quimas

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ninguém que muda alguma coisa é normal

Charles R. Knight - Cro-Magnons

Ninguém que muda alguma coisa é normal.
Normais são aqueles que se acomodam à situação.
Loucos são os que em seus sonhos viram outras possibilidades, enxergaram além e não se importaram em ser discriminados.
São os Fernão Capelo, os que viram o mundo de muito alto e mergulharam fundo na vida que lhes foi possível.
São a pior espécie de gente, tiraram os homens da fumaça das cavernas.

S. Quimas

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