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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Não sou nada

S. Quimas - Encontro dos Rios


Não sou nada.
Se nada fosse
Seria algo concebível.
Mas não sou mesmo
Algo.
Tenho desdém de mim mesmo.
Luto sou em minha poesia,
Mas mesmo a terra não me recebe o corpo.
Rompo os grilhões que me aprisionam,
Mas ainda assim a mim condenam ao desterro.
Não pertenço à pátria,
Nem a minha vida toda.
Sou aluguel de casa de sonhos.
Vivo assim tão em mim,
Que já não me suporto.
Me preferia morto,
Quisera tal,
Perscrutar as minhas insanidades,
Não jogar xadrez
Com minhas verdades.
Porque ser poeta é um vício
Maior que todos os outros.
Na poesia me embriago mais
Do que com todos os vinhos.
Os vizinhos meus são tolos,
Não sabem de mim mesmo.
Sou o que volta,
Uma vida mais,
Assim da vida prisioneiro,
Falas.
Eu que no passado,
Encantei a todos vós,
Hoje sou mudo
E o encantamento perdi.
Já sonhos não tenho,
Só me resta... a poesia.

S. Quimas

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domingo, 29 de junho de 2014

Eu fico aqui compondo poesias para quê?

O Grito da Independência - Pedro Américo


Eu fico aqui compondo poesias para quê?
Elas livram minha alma, me acalmam?
A poesia só agrava todos os meus dias.
Nem sei se os meus versos sejam poesia.
A única certeza que tenho é nenhuma.
Minha vida é uma eterna bruma,
Um nevoeiro que destrói todas as minhas forças.
Mas, gozo com os versos que faço.
Como pode alguém ter prazer com versos
De tristeza e solidão? Sei lá, gozo.
Um dia, sei lá, numa Ave Maria qualquer,
Os fiéis os recitem.
Isso é coisa de um demônio, mas não sou?
Imagina a cena. Imagina se possível...
Nada é possível e possível é tudo,
Basta que se movam as peças
Nesse xadrez da vida de modo adequado.
Contudo, a minha incompetência é grande
E tremenda é a minha indiferença a isso.
Basta-me a arte, o canto, ou porcaria nenhuma.
A poesia, a poesia, ela sempre.
Desde a infância ela me domina.
Há os grandes, sou o menor dentre todos,
Mas enquanto tiver garganta, eu grito.
Pois o meu canto é forte,
Voz do Infinito!

S. Quimas