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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Não sou nada

S. Quimas - Encontro dos Rios


Não sou nada.
Se nada fosse
Seria algo concebível.
Mas não sou mesmo
Algo.
Tenho desdém de mim mesmo.
Luto sou em minha poesia,
Mas mesmo a terra não me recebe o corpo.
Rompo os grilhões que me aprisionam,
Mas ainda assim a mim condenam ao desterro.
Não pertenço à pátria,
Nem a minha vida toda.
Sou aluguel de casa de sonhos.
Vivo assim tão em mim,
Que já não me suporto.
Me preferia morto,
Quisera tal,
Perscrutar as minhas insanidades,
Não jogar xadrez
Com minhas verdades.
Porque ser poeta é um vício
Maior que todos os outros.
Na poesia me embriago mais
Do que com todos os vinhos.
Os vizinhos meus são tolos,
Não sabem de mim mesmo.
Sou o que volta,
Uma vida mais,
Assim da vida prisioneiro,
Falas.
Eu que no passado,
Encantei a todos vós,
Hoje sou mudo
E o encantamento perdi.
Já sonhos não tenho,
Só me resta... a poesia.

S. Quimas

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Minha casa sonha com um jardim à beira do lago

Lago - Vasily Dmitrievich Polenov


Minha casa sonha com um jardim à beira do lago.
Não é um jardim qualquer,
Ele é feito de estrelas e luares
E nele passeiam caminhos de amores,
Que carinhosamente vem abraçar o espelho d’água.

No sonho de minha casa
Cabem todos os por ela amados,
Que vêm dançar na largueza imensa de seu jardim.
E bailam, bailam, bailam
Num balé sem fim,
Rodopiando por entre os canteiros estrelados,
Enquanto a lua toca uma melodia mágica
Na sua harpa de mil cordas.

Quando todos partem,
Minha casa adormece
E de novo sonha
Um sonho dentro de um sonho,
Que jamais termina.
E segue assim sonhando
Por toda a eternidade.

S. Quimas