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terça-feira, 15 de julho de 2014

Quisera que tua boca sobre a minha pousasse

Sri Krishna e Sri Hadharani

À minha Radharani

Quisera que tua boca sobre a minha pousasse,
Como pousa, na praia, a espuma do mar.
Mansamente, rebrilhando à luz do sol,
Feito espelho gracioso,
Abraçando os grãos de areia.
Quisera que tu fosses apenas como o mar:
Azul límpido, por vezes tempestuoso,
Mas fluir de ondas sempre presente.
Quisera eternamente e tão somente agora,
Um instante, um segundo, um lapso,
Quisera...
E por tanto querer,
Já não te tenho. Que fazer?
Seguir pensando que um dia possa,
Ainda que assim, sem resposta,
Resolver a questão que consome todo meu ser:
Quem há de me acordar
Amanhã de manhã?
Tu? Não sei!
Mas quisera fosse.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

A hora é chegada, amor

Noite de Primavera - Alphonse Mucha


A hora é chegada, amor.
A primeira luz da aurora
Penetra pelas frechas da janela.
Tenho que partir,
Mesmo que não queira, tenho.
É hora de ir,
De deixar o calor dos teus braços,
O doce sabor dos teus beijos,
Os carinhos e afagos teus.
Deixar o cheiro do teu corpo
E as marcas nos lençóis
Do amor que vivemos.
Mas aquieta-te, meu terno amor,
Virá a noite novamente
E antes que a lua nasça
De novo estarei contigo,
De novo nos amaremos
E pela manhã, só pela manhã,
De novo partirei,
Mas à noite, mais uma noite,
Voltarei para ti
E assim farei,
Deus o queira,
Por toda a Eternidade.

S. Quimas

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Lá fora a chuva cai e eu me lembro de ti

Arte: Paul Lasaine


Lá fora a chuva cai e eu me lembro de ti.
Não é só a chuva, mas tudo te traz à minha lembrança:
A brisa tépida despenteando os meus cabelos,
O cheiro das flores que colho pelo caminho em uma manhã qualquer,
Aquela criança no parque que outro dia me sorriu
E me causou a mais profunda emoção — as crianças sempre causam —,
O som festivo das maritacas, que chegam sempre à mesma hora
Para se alimentarem das sementes das palmeiras no jardim,
A música romântica que toca em um rádio em alguma casa da vizinhança,
Enfim, a ânsia que tortura o meu corpo buscando o teu,
Minha boca que deseja teu beijo, que é como um sonho
Que se sonha num abraço mesmo desperto.
Recordo-te e parece que te vejo ainda deitada nua em meu leito,
Tão bela, tão sedutora, razão de todo o meu desejo.
Enquanto cai a chuva, eu permaneço aqui em silêncio,
No mais completo devaneio.
Quase posso te tocar com minhas mãos, tão real tu te fazes para mim,
Porém um trovão freme as janelas de meu quarto
E, assim, desperto. Só vejo à minha volta as paredes e os móveis.
Levanto-me. Estou com sede.
Quando caminho em direção ao jarro d’água, tropeço em algo.
É teu retrato que mandei emoldurar.
O vidro se partiu em pedaços,
Feito qual, quando tu foste embora,
O meu coração.

S. Quimas

Site de Paul Lasaine: http://lasaineportfolio.blogspot.com.es/

sábado, 7 de junho de 2014

Pela manhã, abro a janela

Jovem Cansado de sua Cidade Natal - Taryn Day


Pela manhã, abro a janela
E a brisa tépida da primavera
Vem confidenciar.
Diz-me dos campos, das árvores,
Das flores, e dos frutos extemporâneos.
Da poeira do caminho
Que serpenteia por entre a relva.
Dos ribeiros rasgando as terras
E de suas pedras batidas pela água.
Fala-me do céu anil,
Que pastoreia nuvens de algodão.
Do sol e das estrelas que morreram
Nascida a luz da aurora.
Conta-me da gente
De dedos nodosos e mãos ásperas,
Que cedo toma a lida no campo.
Também, de outra,
Que faz vigília junto à porta dos bares,
Na ânsia do primeiro gole do dia.
De tudo e todos me traz novidades.
Alguns nasceram,
Outros partiram para a Eternidade.
E, assim, passam-me as primeiras horas
Da manhã surgida.
Só de ti, nada a brisa fala.
Sabe que reabriria feridas de outrora,
Então, compadecida, se cala...

S. Quimas

O site do artista Taryn Day: http://awakeandpainting.blogspot.com.br

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O amor é impossível... é possível... é possível...

Sri Krishna



O amor é impossível... é possível... é possível...
Impossível é não sentir sua presença,
apesar da dor, da incompreensão, da indiferença.
Impossível é negar-lhe a vida,
pois a vida, não essa, mas a Vida é Amor...
É o Sol, a Lua, a paisagem ressurgindo na flor,
é miragem, sonho, divina fantasia...
É teu olhar, simplesmente ele,
quando pela manhã entram pelas frestas
os primeiros raios de luz, e dizem:
tudo é possível, pois surgiu um novo dia.


Luz e paz.

S. Quimas

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