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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Algo em mim é renúncia



Leonardo Da Vinci - O homem vitruviano

Algo em mim é renúncia,
Outro desejo incontido de poder.
Algo me mata,
Outro me faz viver.
Todos algos me fazem ser o que sou,
Outros me invadem deformando.
Como estátua de cera,
Depositada em um museu,
Represento algo,
Mas vejo a angústia do não-ser.
Na arte há sonho,
Porém também padecimento,
Algo de fome, jamais satisfeita,
Alimento que não sustenta estômago,
Vilania de não conformidade.
Algo em mim busca,
Outra se paralisa completamente
E ainda assim se move
Na imponderável falta de gravidade
De uma inexistente e absoluta
Falta de toda atração.
Existe em mim respostas,
Contudo as dúvidas lhes superam.
Vou assim seguindo, controvérsia.
Não sei a felicidade anunciada
Pelas propagações de benesses.
Não há em mim religião,
Esperança de promessas,
Há o que vivo,
Eterno rascunho,
Um traçar planos,
Féretro de inconclusos devires.
Talvez seja isso
O que de fato me alimenta e me sustem.
Não sou nada
E ao mesmo tempo absoluto.
O que passa é extinto,
Sou mais absinto e abismo.
A queda é fácil,
Mas no voo me sustenho,
Pois de tudo em mim desdenho.
Na poesia a rima incerta,
Como toda a minha vida é.
Não há esperança,
Sou o que sou,
Um sempre vir a ser.

S. Quimas

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sábado, 22 de novembro de 2014

Os povos clamam por justiça e são respondidos à bala



Os povos clamam por justiça e são respondidos à bala.
Instaura-se na humanidade a Nova Ordem Mundial.
O "gado" reage, mas o poder os desarmou em sua inconsciência, dando-lhes fuga nas distrações hodiernas, substituindo os sentimentos de amor e fraternidade reais por "curtires". Favorecendo-lhes acesso a tecnologias que suplantaram a vontade do contato pessoal, favorecendo a violência e implantando o medo e a precaução de não irem às ruas, de se isolarem em seus lares, e, assim, cada vez mais, o isolamento, o insulamento de cada um.
Tornam-nos neuróticos, filhos de uma paz perdida, ou que jamais houve, pois para que haja paz real deve haver comunhão. Porém, comunhão não há, pois onde há comunhão também há respeito às diferenças e, principalmente, luta pela equanimidade de direitos e oportunidades.
Assim caminha a humanidade: para o abate.

S. Quimas