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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Eu não sou nada



Eu não sou nada,
Nada absolutamente de nada,
Poeta de nada,
Filósofo de nada,
Pois nada sei e de tudo duvido.
Sou absurdo,
Decrépito, ignoto.
Verso pesado demais,
Depressivo, não arranco sorrisos.
Não sou paliativo a dor de ninguém,
Pelo contrário.
Sou inferno, luz nenhuma,
Sou fio de uma navalha
Que corta a carne.
Falo de dores, por vezes de amores.
Sou doce amargo e todo sentimento,
Sou poeta e em mim todo argumento é arte.
Beleza flor, da dúvida também,
De tudo que existe
E de tudo aquilo que me é sonho.
Sou assim, também um demônio.
Brinco com palavras
E jogo versos em uma página.
Lê-os os que se atrevem
E não têm medo de contaminação.
Os que têm estômago que suporte,
Sou vida, sou morte,
Sou inspiração.
Sou poeta,
E , como, sem razão.
Não há triunfo, ou glória,
Porque sempre me vence a poesia.

S. Quimas

sábado, 8 de novembro de 2014

A glória está na loucura

Eugène Delacroix - A liberdade Guiando o Povo


A glória está na loucura, não na insanidade da inconsciência, mas na loucura que é a ruptura com os valores usuais, mecânicos, estereotipados, herança dos condicionamentos e imposições sociais.
Quando o ser humano diminui o “por fora” e cultiva o “por dentro” passa a viver mais livre, pois não há tanto objeto de apego, de luta por necessidades artificiais, construídas pela indústria do marketing. Melhor o cão que corre atrás do próprio rabo, pois se diverte, do que o homem que corre atrás do “vento” e não chega a lugar algum que console as suas frustrações.
Cada vez a sociedade clama por mudanças, berra, marcha nas ruas, mas saberá que as mudanças repercutem a partir do indivíduo e que mudanças de massa só fazem trocar modelos, que no fundo trarão novas frustrações? São apenas alhos por bugalhos, como diz o ditado.
Não vou me estender mais, não cabe. Só quero acrescentar que em meio à escuridão não podemos nem ver a nós mesmos, porém, ainda assim, ao menos nos podemos sentir vivos. Desesperam-se os que estão cegos para a própria Luz interior, mas não os de espírito superior, os seres conscientes.

S. Quimas

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eu tenho apenas medo

Hamlet - Lawrence Olivier


Eu tenho apenas medo,
Medo como um cão que fuça o lixo
E olha à sua volta
A procura de quem lhe rechace.
Eu tenho medo,
Medo dos convictos,
Daqueles que jamais questionam suas crenças,
Daqueles senhores de si que seguiram
E só seguem um único modelo.
Tenho medo das religiões
Que são artigo de crença,
Que não se questionam,
Que jamais filosofam as razões.
Tenho medo...
Medo de duvidar de tudo
E ainda assim, duvidar.
Tenho medo de minhas crenças,
Do “eu sei”,
Pois o “eu sei” é congelante,
Estagnante e nada mais.
A filosofia não é hermética,
Herméticos são os passos dos contidos,
Daqueles que não se atrevem além.
Não busco glória e aplausos.
O que busco nem eu sei,
Tamanha a dúvida,
Tantas as indecisões.
Mas sigo assim vivendo
Entre um verso e outro
E a vida se faz em mim poesia.


S. Quimas