terça-feira, 14 de abril de 2015

Se eu acaso esquecer o teu nome,

Rosas (Autor desconhecido)


Se eu acaso esquecer o teu nome,
Ainda restará a metade
Do meu coração por ti furtado.
A memória, posso perdê-la,
Mas não a parte de mim
Que se vai então contigo.
Cuida, pois posso
Querer me reencontrar.

S. Quimas

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Não quero outro quinhão deste mundo

An Jung-Hwan - Florestas silenciosas



Não quero outro quinhão deste mundo
Senão as memórias que trago,
Que minha alma não fique
Vazia de recordações;
Sejam boas ou más,
Mas que viva o torpor
De ter vivido.
Que me alucine de realidades
E delas se despeça,
Como alguém que parte
Para outra aventura viver.
Que de mim não sobre rastros,
Porém minha poesia.
Que possa ela
Em um papel coberto de manchas
Fazer sentido daqui mil anos,
Que se desmanche nas mãos
De quem o tocar
E que seja para ele ou ela,
Um momento único.
Que guarde o sentimento,
Não a forma, ou as palavras.
Que tudo se vá,
Mas que permaneça em si
Eternidade.

S. Quimas

sábado, 11 de abril de 2015

Tem um doce silêncio em teus gestos

Sophia Loren



Tem um doce silêncio em teus gestos,
Não são música, se dela são, são pausa,
Interregno de execução, lapso na melodia,
Suspensão e desejo de prosseguir, atração.
São notas não descritas, símbolo declarado
Da ânsia que por completo me invade,
Sol que prenuncia em nascer
Numa aurora que talvez viverei, ou não.
Renúncia à verdade do meu tempo,
Eterna possibilidade.

S. Quimas

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A simples renúncia de teu gesto é silêncio



A simples renúncia de teu gesto é silêncio,
Acabo-me em teus risos.
Tua face é suspirar,
Não do amor que sinto,
Mas acredite-me por vê-la.
Há gestos e não sei as incertezas.
Como saberei?
Deixe a mornesa dos mistérios,
(Construí para ti palavra nova),
Quando de bêbado
Mijo nas calças.
Que poeta já te falou tão reto?
Quem te deu tanto?
Eu não fui. Não eu.
Pois, simplesmente,
Não importo.

S. Quimas


Ela se foi

Modesto Trigo - O Nu


Ela se foi,
Desfez-se como um laço,
Laço que envolvia
Como um abraço
Que eu jamais deixaria.
Foi-se e mais nada.
Assim, simplesmente,
Estrada em que não sopra vento,
Não levanta poeira.
Não há dor na partida,
Não há sol que creste,
Não há.
Foi-se.
Não há dor,
Pois para senti-la
Ainda comigo meu coração permaneceria,
Mas levou.
Foi-se.
O que resta de mim
É trovoada sem chuva,
Promessa jamais realizada.
O que inunda minha alma
Não é desejo nenhum,
Todo desejo se perdeu.
Lapso do tempo,
A poesia morre,
Flor abortada,
Alma desgarrada
Daquilo que não viveu.

S. Quimas