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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Pum!



Acabou...
É o fim do mundo,
Nele morreram as reverências,
A delicadeza,
O que põe mesa
É o poder de ter.
Assim é a oitava maravilha,
Seja.
Assim é.
Para o chulé
O antídoto,
Mas não para o travesseiro.
O pum fede o mesmo,
Ai qualquer um é.
Poema nefando
Que se constrói na minha mente,
Apenas um.
Pum!

S. Quimas

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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Não consigo dormir

Aime Nicolas Morot - Leão


Não consigo dormir.
A mente se invade de poesia.
Isso é demoníaco.
Minhas horas tardam,
Minha mente se consome em versos...
Não sei. Sinceramente não.
Poesia é o quê?
Sentimento? Razão?
Uma transposição de mim apenas.
Nada do que eu não revele
No tanto que vivo.
O que vivo?
Ah, o que vivo!
Minha vida, ai!
Que gesto dissoluto.
Um cão que fuça o lixo
Tem gesto maior.
Não leiam o que escrevo,
Não leiam mesmo,
Pois sou um confessor de mim em minhas letras.
Poupem-se dessa lamúria sem fim,
Poupem-se dessa inglória causa que sou.
O que arde em mim é túmulo,
Não é poesia.
É o que é morto
Na maior parte dos seres deste mundo.
É o que deveria de estar vivo:
Sentimento.

S. Quimas

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terça-feira, 22 de julho de 2014

Quando eu morrer



Quando eu morrer,
Não me recordem como um morto,
Porque aquilo que morreu de mim,
Eu não sou.
O que sou o mundo não viu,
Mas não todo o mundo,
Pois que o mundo não é a gente,
Mas o mundo real, é aquele que vive
E não apenas existência tem.
Existência também tem os insetos
E nem por isso construíram catedrais,
Sequer tiveram um pensamento religioso,
Nenhuma piedade, nem comiseração,
Apenas se preocupam — e sempre foi assim —
Em nascer, crescer, reproduzir e morrer.
Não lhes falta mente,
Falta-lhes sonho.
Sim, sonho.
Porque poesia, arte, devaneio e loucura
São uma só coisa.
Coisa estranha e sem sentido,
Mas coisa mais real do que o real,
Pois que é transcendente.
Não a essa miséria que cerca os insetos,
Porém a própria insetude humana.
Quando eu morrer,
O único testamento que deixo é esse,
A minha loucura.
Não quero sobriedade, quero o torpor.
Na embriaguez de minha alma
Falo com os anjos...
Com os anjos!
Para que falar com gente que não sente,
Mas só copia o que lhe autorizam a sentir?
Sou rebelde? Não.
Sou poeta.
Pai e mãe
De toda a utopia.

S. Quimas

domingo, 29 de junho de 2014

Infindas são as horas

Arte: Giuseppe Muscio


Infindas são as horas, ao menos na minha mente,
A poesia se estreita em tudo aquilo que deveria,
Mas não sou.
Meus amigos me abandonaram, incomodo.
Incomodo pelo que sou, um insano, um poeta.
— E teu alimento? Alimento-me de versos, respondo.
— Onde dormes? Durmo nos meus sonhos e devaneios.
Aliás, os vivo.
Não há como de mim afastar a minha loucura.
Meu pai toca flauta doce e ouço Debussy.
A sutilidade, o mundo nasce do coração,
Não do músculo estriado, mas do sentimento.
Não me quero preocupado, que me acabe,
Para que perdurar?
O prazer dura segundos, minuto se tanto.
Não sou poeta do pessimismo,
Aqueles que me assim acham não me compreenderam.
Sou a luz, uma única lâmpada mágica
Que se acende nas trevas,
Faço de toda a dor, poesia. Poesia? Da dor?
Não que eu queira que se alimentem
Todos aqueles que me leiam com defuntos,
Mas porque desejo que entendam
Que muitas flores nascem do estrume.

S. Quimas

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