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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Para que criemos fracassados

Théodore Géricault- A Jangada do Medusa, 1818

Para que criemos fracassados, serviçais, escravos, basta dar-lhes uma educação que não os conduza a auto superação, que os restrinja à crença da impossibilidade de subverterem os modelos institucionais e superarem seus limites, que os façamos descrentes de si mesmos, que os conduzamos à derrota de seus sonhos e os iludamos com crédito para se entorpecerem de bens materiais que não são nada mais do que panaceias inúteis à sua transcendência e libertação da sua mediocridade.
Ensinemo-los qual o "seu lugar", iludamo-nos, facilitemos a eles a tecnologia ilusória para que se sintam no controle por enviarem SMSs, por navegarem em redes sociais e terem comentários e "curtidas" em suas timelines, para que se sintam importantes, quando não passam de nulidades frente à vida e se distanciem de si mesmos e da própria essência da vida.
Falseemos o seu poder, limitando-os à ilusão.
Façamos isso e dominaremos.

S. Quimas

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Existe uma droga maior que a cura

Nebulosa na constelação do Órion


Existe uma droga maior que a cura, que escraviza e faz a mente delirar em alucinações irreversíveis, que submete e tolda a realidade de maneira fácil. Chama-se, ilusão. E ela se constrói a partir do momento em que nos escravizamos por todas as nossas certezas, quando "fundamentalizamos" nossa consciência, quando não nos libertamos do agora, para vivermos um outro agora, quando nos fechamos, nos trancafiando irremediavelmente em nossos apegos.
Novas estrelas e galáxias estão agora nascendo, mas só nosso futuro as verá.

S. Quimas

Obrigado por sua  visita. Visite a minha página de arte no Facebook e conheça a minha pintura.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O que me apavora

A Neve Está Chegando - Abram Ahipov


O que me apavora
Não é a ignorância,
Mas a exata certeza daqueles que não duvidam.
Esses que se insuflam de textos
E não pensam por si mesmos.
Que são capazes de citar
Toda a linhagem de Sócrates,
Mas são vazios de filosofia própria.
Parecem estantes de livros,
Máquinas fotocopiadoras
E apenas reproduzem o que viram, ouviram, leram.
Não condeno nem a visão, nem a audição, nem a leitura.
Aliás, quem sou eu para condenar alguma coisa?
Só não suporto a interminável ladainha dos intelectuais.
Essa coisa recitativa,
Moto perpétuo de memórias que não lhes pertence,
Pois não viveram.
A filosofia é uma caixa de Pandora
E a poesia uma dor de coluna
Para os sábios virtuosos.
Onde a verdade?
Que verdade, se a cada instante tudo se transforma
E a impermanência de tudo é tão visível?
Onde as certezas?
Só vaidade e ilusão.
Melhor o sonho,
Pois sonhar é algo,
Verdade é abstração.
Condenem-me, me levem ao Gólgota.
A cruz é para aqueles que ousaram,
Não para os conformados
Da eterna mensagem repetida.
Prefiro a cegueira
Do que a lucidez dos reflexos.


S. Quimas

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Pensamentos e Reflexões IV

S. Quimas - Sounds of Freedom - Dry pastel


Ninguém é de fato tão obtuso, que, com um pouco de esforço, não possa aprender no texto da vida a linguagem perfeita do Amor.

Com toda a sinceridade, uma vez pensei em orar a Deus e pedir a destruição de toda a humanidade por todas as suas atitudes mesquinhas, seus comportamentos abomináveis. Contudo, refletindo um pouco mais, resolvi me ajoelhar e pedir, simplesmente, perdão por todos nós.

O mais importante não é a crítica, o apontar os erros, mas trazer de fato soluções.

Todos nós desejamos ser aclamados importantes, mas esquecemos que, na economia da vida, é a ação de microscópicas bactérias que torna o solo cultivável e produtivo.